Fabricante chinesa de robôs Unitree estreia-se na Bolsa de Xangai a ganhar 629%

Xangai, China, 19 ago 2026 (Lusa) — A Unitree Robotics estreou-se hoje na Bolsa de Xangai, numa sessão que as ações da fabricante de robôs humanoides mais conhecida da China chegaram a estar a subir 629,4%.

As ações da empresa abriram no STAR Market de Xangai – conhecido como a “Nasdaq chinesa” pelo seu foco em ações tecnológicas – a 1.100 yuan (140,9 euros), às 09:30 (02:30 em Lisboa), em comparação com o preço unitário de 150,8 yuan (19,32 euros) definido pela empresa.

A Unitree conseguiu captar 6,1 mil milhões de yuan (781 milhões de euros) numa oferta pública inicial em que a fabricante colocou à venda 40,4 milhões de ações.

A empresa apresentou o pedido de admissão à cotação na Bolsa de Xangai em março e obteve aprovação apenas 73 dias depois — um recorde para este mercado.

Durante a fase de reserva de acções da Unitree, a procura foi mais de oito mil vezes superior à oferta.

Esta foi a primeira oferta pública inicial de uma empresa deste setor na China continental, embora não a primeira no país, uma vez que a UBTech Robotics se estreou na bolsa de valores da região semiautónoma de Hong Kong em 2023.

A operação avalia a Unitree em cerca de 7,8 mil milhões de euros. De acordo com o portal Value Add VC, isto coloca-a apenas atrás de duas rivais norte-americanas: a 1X Technologies, apoiada pela OpenAI (que desenvolveu o ChatGPT), e a Figure AI, que conta com o apoio da Nvidia e da Microsoft.

A empresa indicou que quase metade do montante angariado será destinado à investigação e desenvolvimento de modelos inteligentes para robôs, além de investimentos em corpos robóticos, novos produtos e na construção de um centro inteligente de fabrico.

A tecnológica ganhou notoriedade dentro e fora da China pelas demonstrações públicas dos seus robôs humanoides, incluindo participações na tradicional gala televisiva do Ano Novo Lunar da estação estatal chinesa CCTV.

Na segunda-feira, a Unitree apresentou um novo modelo, chamado “Super-Homem”, capaz de saltar a uma altura de dois metros e correr a 12,7 metros por segundo, o que “supera todos os recordes humanos”, apesar de estar em desenvolvimento há “pouco mais de três meses” e, por isso, “ainda ter muito espaço para melhorar”.

A empresa alertou que a comercialização em larga escala do novo modelo pode “demorar mais tempo do que o esperado”, uma vez que as mãos robóticas ainda não são precisas ou duráveis o suficiente.

Fundada em 2016 e sediada na cidade de Hangzhou, no leste da China, a Unitree desenvolve robôs quadrúpedes e humanoides. A empresa é atualmente a maior vendedora mundial de robôs humanoides, que já representam mais de metade das suas receitas, e produz também componentes como mãos robóticas, braços colaborativos e sensores.

A imprensa chinesa sublinhou que 90% da cadeia de abastecimento da Unitree encontra-se na China, país que considera as tecnologias avançadas e aplicações industriais de inteligência artificial como um setor estratégico.

O Governo chinês afirma que, em 2025, mais de 140 empresas chinesas já tinham lançado mais de 330 modelos de robôs humanoides.

Em julho, os Estados Unidos proibiram a importação de robôs humanoides fabricados no estrangeiro, alegando questões de segurança nacional, uma medida que afecta sobretudo as empresas chinesas.

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