Presidente de transição da Guiné-Bissau nega que referendo à Constituição visa permitir regresso de Sissoco Embaló ao poder

Lisboa, 15 ago 2026 (Lusa) — O Presidente da República de Transição da Guiné-Bissau, general Horta Inta-a, afirmou hoje que o próximo referendo popular da nova Constituição do país não visa permitir o regresso ao poder do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló.

Num discurso proferido no palácio da Presidência, em Bissau, perante os régulos (autoridades tradicionais), transmitido nas redes sociais, o chefe de Estado de transição exortou aqueles a exercerem a sua influência junto da população para garantirem uma votação favorável à entrada em vigor da nova Constituição.

O líder de transição guineense estabeleceu uma distinção entre a natureza do poder político estatal e a autoridade tradicional, afirmando que o Estado não funciona nos moldes tradicionais em que um dirigente preserva o poder de forma vitalícia ou prolongada.

Horta Inta-a foi, entre outros cargos, chefe do Estado-Maior Particular de Umaro Sissoco Embaló e mais tarde chefe do Estado-Maior do Exército, até liderar um golpe de Estado que derrubou Embaló do poder, em 26 de novembro de 2025.

À frente de um Alto Comando Militar, Horta Inta-a assumiu o poder, tendo desencadeado várias mudanças no funcionamento do Estado guineense, nomeadamente a aprovação de uma nova Constituição, que, basicamente, reforça os poderes do Presidente da República.

O documento será submetido à consulta popular no próximo dia 30, num ambiente de crispação nacional, em que vários setores da oposição e da sociedade civil apelam ao boicote ao referendo.

No encontro de hoje com os régulos, o general sublinhou que a consulta popular “não é um exercício de nenhum partido ou de nenhum líder político”, rejeitando que o processo sirva para beneficiar forças partidárias ou figuras como Umaro Sissoco Embaló, Domingos Simões Pereira e Fernando Dias da Costa.

Simões Pereira e Fernando Dias da Costa são os principais rostos da oposição a Sissoco Embaló e agora das ações dos militares que governam o país desde o golpe.

Apelando à mobilização geral das autoridades tradicionais, Horta Inta-a defendeu que a nova Lei Fundamental pertence ao conjunto dos guineenses, assinalando que nenhuma força partidária demonstrou interesse em promover a revisão constitucional ao longo das últimas décadas de regime democrático.

O Presidente da República de Transição vincou que o futuro do país deve resultar “exclusivamente da vontade soberana” dos guineenses e não de organizações internacionais como as Nações Unidas, a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana ou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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