
Pequim, 15 ago 2026 (Lusa) – O Governo da China apresentou hoje uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um sÃmbolo do passado militarista do paÃs.
Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de agosto, e noutras ocasiões.
O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda.
O santuário xintoÃsta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e polÃticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial.
Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”.
As visitas de autoridades japonesas a Yasukuni provocam frequentemente indignação em Pequim e Seul, uma vez que a China e a penÃnsula coreana foram palco de atrocidades cometidas pelas forças militares japonesas na primeira metade do século XX.
“Nenhum pretexto pode ocultar a verdadeira intenção dos polÃticos japoneses, que é anular o veredicto sobre os criminosos de guerra, encobrir os crimes de guerra do Japão, distorcer os factos históricos e abrir caminho para a aceleração da remilitarização”, enfatizou o porta-voz chinês.
“Isto constitui uma afronta à justiça histórica, um desafio à s normas fundamentais da civilização e uma provocação contra a ordem internacional do pós-guerra. Tal conduta foi firmemente rejeitada pela vasta maioria da comunidade internacional”, acrescentou.
Na visão de Pequim, refletir sobre a história e abordá-la “de forma correta” era um “requisito importante” para o regresso do Japão à comunidade internacional após o conflito, constitui a base polÃtica das relações de Tóquio com os paÃses vizinhos e é, acima de tudo, uma “medida fundamental” para o compromisso do arquipélago com o “desenvolvimento pacÃfico”.
“Instamos o lado japonês a refletir seriamente sobre o seu historial de agressão, a romper decisivamente com o militarismo e a conquistar a confiança dos seus vizinhos asiáticos e do resto do mundo através de ações concretas”, concluiu o porta-voz chinês.
Nenhum primeiro-ministro japonês em exercÃcio visitou Yasukuni desde 2013, quando uma deslocação de Shinzo Abe ao santuário provocou uma reprimenda do aliado mais próximo de Tóquio, os Estados Unidos.
As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan.
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