
Havana, 13 ago 2026 (Lusa) – O ex-presidente cubano Raúl Castro, que não era visto em público há vários meses, reapareceu hoje em Havana por ocasião do centenário do nascimento do falecido irmão Fidel Castro.
Raúl Castro, de 95 anos e vestido com o tradicional uniforme, foi ovacionado ao entrar no Teatro Karl Marx, na capital cubana, onde decorria a cerimónia, relatou a agência de notÃcias France-Presse.
Raúl sentou-se numa poltrona ao lado da viúva de Fidel, Dalia Soto del Valle, que raramente marca presença em eventos públicos.
Embora Raúl Castro não ocupe qualquer cargo oficial no governo ou no Partido Comunista Cubano, continua a desempenhar um papel importante nas decisões polÃticas e conta com a lealdade das Forças Armadas.
Em junho, a Presidência de Cuba anunciou ter dado “luz verde” a reformas económicas para fazer face à crise, sob pressão dos Estados Unidos.
Estas medidas representam a maior mudança de modelo desde que Cuba adotou o comunismo há cerca de 70 anos.
A última aparição pública de Raúl Castro remonta a 01 de maio, Dia do Trabalhador, em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana.
Posteriormente, foi visto na televisão estatal durante dois eventos em junho.
O irmão mais novo de Fidel Castro (1926-2016), o inimigo jurado dos Estados Unidos, foi acusado em maio, em Miami, pela morte de quatro norte-americanos, depois de dois pequenos aviões de um grupo anticastrista terem sido abatidos em 1996.
Raúl Castro era, na altura, ministro da Defesa.
O Partido Comunista Cubano celebra há vários dias o ‘el comandante’, que governou Cuba de 1959 a 2008, através de exposições, concertos e conferências inseridos no “I Colóquio Internacional Fidel: Legado e Futuro”.
Vários dirigentes comunistas de todo o mundo viajaram até à ilha para participar no evento, incluindo o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.
Contudo, este ano, o aniversário de 13 de agosto ocorre num momento em que Cuba atravessa uma das piores crises da sua história, marcada pela escassez de alimentos e água, e cortes de eletricidade crónicos.
A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, aplica uma polÃtica de “pressão máxima” contra Cuba, em particular desde a captura, no inÃcio de janeiro, numa operação militar norte-americana, do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, até então o maior aliado de Havana.
Ainda hoje, o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que Washington não descarta a possibilidade de uma intervenção militar em Cuba, ao mesmo tempo que sustentou que Havana “faria bem em prestar atenção” à vontade do chefe da Casa Branca de “fazer valer as prerrogativas estratégicas” do paÃs norte-americano.
“Como já disse anteriormente, e creio que viram o que aconteceu noutros casos, todas as opções estão em cima da mesa, incluindo as militares”, afirmou Hegseth, em declarações à imprensa durante uma visita ao Panamá, paÃs onde participou num evento da coligação militar impulsionada por Washington contra os cartéis.
Posteriormente, afirmou que “ninguém se pode comparar aos Estados Unidos” e “o que a influência estrangeira conseguiu alcançar no seu hemisfério tem sido bastante insignificante”.
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