
BrasÃlia, 12 ago 2026 (Lusa) — O Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, com a área coberta por formações naturais a cair de 79% para 65% do território, segundo dados divulgados hoje pela rede de monitorização ambiental MapBiomas.
O levantamento da MapBiomas, baseado em imagens de satélite, mostra que a agropecuária avançou de 18% para 32% do território brasileiro entre 1985 e 2025.
Ao longo de 41 anos, cerca de um terço do território brasileiro sofreu pelo menos uma mudança de cobertura ou uso da terra, enquanto 67% permaneceu estável.
Entre 1985 e 2025, 241 milhões de hectares passaram por transições de cobertura e uso da terra e, desse total, 136 milhões de hectares de vegetação nativa foram convertidos para áreas de agropecuária.
A Amazónia perdeu 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa no perÃodo, enquanto o Cerrado perdeu 51,7 milhões de hectares, as maiores reduções absolutas entre os biomas, segundo aponta o MapBiomas.
Em termos proporcionais, Cerrado e Pampa registaram as maiores perdas, de 34% e 32%, respetivamente, segundo o MapBiomas.
Já a Mata Atlântica teve uma redução de 12%, mas continua com a menor proporção de vegetação nativa.
Apesar da tendência acumulada, o ritmo de transformação das áreas naturais diminuiu nos últimos anos, sendo que, em 2025, o Brasil registou menos de um milhão de hectares desmatados.
O resultado representou uma redução de 20,6% face a 2024 e foi o primeiro registo abaixo de um milhão de hectares desde o inÃcio da série do MapBiomas Alerta, em 2019.
A agropecuária ocupava 273,3 milhões de hectares em 2025, contra 150,2 milhões em 1985, enquanto as pastagens representavam 60,6% dessa área, e a agricultura ocupava 66,5 milhões de hectares.
Os dados chamam atenção para a maior exposição do uso da terra aos eventos climáticos extremos, como secas e cheias, agravados em anos de El Niño.
O cruzamento dos mapas de cobertura e uso da terra com dados de precipitação mostra que os impactos do El Niño são maiores nas áreas onde predomina a agropecuária do que nas dominadas por florestas.
A diferença é especialmente evidente na Amazónia, segundo o levantamento, que analisou três episódios recentes de El Niño de forte intensidade, ocorridos em 1997/98, 2015/16 e 2023/24.
Os dados indicam que os biomas brasileiros têm registado secas ou chuvas cada vez mais intensas durante os episódios de El Niño de maior intensidade, como o esperado para 2026.
A Amazónia apresentou o maior défice de precipitação entre os biomas nos três eventos analisados.
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