Luís Guerreiro, Ângelo Freire e José Manuel Neto fazem “ode à guitarra portuguesa”

Porto, 12 ago 2026 (Lusa) — Três instrumentistas de guitarra portuguesa – Luís Guerreiro, Ângelo Freire e José Manuel Neto – tocam juntos em dois concertos no Porto e em Lisboa, em fevereiro do próximo ano, com direção artística do músico Diogo Clemente.

Intitulado “As Três Guitarras”, “o concerto é acima de tudo uma ode à guitarra [portuguesa] por três dos maiores representantes do instrumento dos dias de hoje”, disse à agência Lusa Diogo Clemente.

Os três guitarristas têm-se apresentado a solo e acompanhando os mais variados nomes fadistas, como Maria da Fé, Maria Amélia Proença, Mariza, Ana Moura, Filipa Cardoso, Aldina Duarte, Ricardo Ribeiro ou Camané.

Sobre o concerto – no dia 13 de fevereiro, na Casa da Música, no Porto, e no dia 20, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa -, Diogo Clemente adiantou: “O repertório vai passar por originais de cada um, uma narrativa de homenagem aos grandes compositores da história da guitarra portuguesa e outras visitações próprias da dimensão destes senhores e do que compreende este instrumento”.

Os três músicos serão acompanhados por Mário Costa, na bateria e percussões, Rodrigo Correia, no contrabaixo, e Rafael Carvalho, na viola.

José Manuel Neto editou em 2016, pelo Museu do Fado, um disco em nome próprio, “Tons de Lisboa”, no qual incluiu alguns temas de sua autoria, nomeadamente “Carta do Adeus”.

No texto do ‘booklet’, a fadista e poeta Aldina Duarte aponta-o com um dos “músicos mais importantes da história da guitarra portuguesa, quer como acompanhador quer como solista”, “herdeiro incontestável de muitos mestres, Armandinho, Francisco Carvalhinho, José Nunes, Manuel Mendes e Fontes Rocha”.

Aldina Duarte lembra que José Manuel Neto é filho da “grande fadista Deolinda Maria [1939-2008], o que não é de somenos importância numa arte de tradição oral”.

Sobre o guitarrista, Aldina declara: “A partir das raízes do fado conseguiu criar um estilo singular, marcante e influente. Músicos e fadistas, de todas as gerações, testemunham a sua importância direta e indireta nos seus percursos artísticos, e a relevância do seu trabalho na arte do fado é unânime. É um músico que consegue aliar uma técnica extraordinária a uma criatividade e sensibilidade espantosas e, por isso, criar uma sonoridade tocante, inteligente e sem tempo”.

Luis Guerreiro recebeu a sua primeira guitarra aos 10 anos, oferta do pai. Mais tarde frequentou a Academia de Música de Alcoitão, e teve ‘masterclasses’ com o guitarrista António Parreira que viria a substituir na casa de fados Forte D. Rodrigo, em Cascais, onde já se apresentava. Guerreiro tocou em várias casas de fado e, atualmente, na Fados ao Carmo, em Lisboa.

Entre outros nomes, acompanha regularmente a fadista Mariza, com quem se apresentou em vários palcos internacionais como o Royal Albert Hall, em Londres, e o Carnegie Hall, em Nova Iorque.

Também fadista e produtor musical, Ângelo Freire, aos 11 anos, em 2000, venceu a Grande Noite do Fado de Lisboa, na categoria de juvenis, e o concurso internacional “Bravo Bravíssimo”, em Itália.

Em 2023, com a chancela do Museu do Fado, editou o seu segundo álbum, no qual canta versos de Mário Rainho, Diogo Clemente, José Saramago e Francisco Guimarães, entre outros.

Sobre este álbum, disse à agência Lusa, em vésperas da sua publicação: “A história deste disco é o amor. Melodias novas de fados tradicionais e as letras refletem histórias que fui vivendo e que me fez sentido centar. E até as letras que iam chegando pareciam escritas a pensar nos momentos emocionais que tinha vivido, e fez muito sentido exorcizar isto através deste disco”.

Em 2007 recebeu o Prémio Francisco Carvalhinho, da Casa da Imprensa, para o melhor instrumentista de guitarra portuguesa e, na mesma categoria, em 2012, o Prémio da Fundação Amália Rodrigues.

O mais recente projeto em que está envolvido, “A Todas as Mulheres”, da fadista Silvana Peres, foi apresentado no passado dia 24 de julho, no Teatro Camões, em Lisboa, tendo partilhado a interpretação do tema “Morena Aqui do Canto” (Teresinha Landeiro/Fado Calisto, de Miguel Ramos), com a intérprete.

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