
UÃge, 08 ago 2026 (Lusa) — A UNITA acusou hoje a PolÃcia Nacional de atentar contra um dirigente e de cercar a sede do partido no UÃge, num incidente que fez pelo menos dois feridos, prometendo não voltar a apelar à serenidade da população.
Os confrontos ocorreram no dia em que o maior partido da oposição angolana realiza, na provÃncia do UÃge, o Ato Central Comemorativo do 92.º aniversário do Presidente fundador, Jonas Malheiro Savimbi, e no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, o braço juvenil do partido.
Em declarações à Lusa, Nelito Ekuikui secretário-geral da JURA, confirmou ter sido alvo de um ataque, do qual escapou ileso.
“Fui, sim senhora, de forma muito clara. A sorte é que eu não estive no carro e fui socorrido por populares”, afirmou o dirigente.
Segundo o seu relato, os militantes acordaram esta manhã com a PolÃcia Nacional a fechar todas as ruas e a cercar a sede local da UNITA.
“Por volta das 12:00 a polÃcia começou a fazer tiros e gás lacrimogéneo. Temos, neste momento, dois feridos, uma pessoa foi baleada no pé”, disse, garantindo terem sido usadas “balas reais”.
Ekuikui sustentou que “a população não reagiu, não atirou nada, absolutamente nada”, responsabilizando exclusivamente as forças de segurança.
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, denunciou o incidente como um “atentado contra a vida” do dirigente, num vÃdeo partilhado na sua página de Facebook. “Agentes da PolÃcia Nacional atentam contra a vida do deputado e secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui, que escapa ileso do ataque”, escreveu.
As imagens partilhadas mostram uma rua junto à sede da UNITA com polÃcia de choque a disparar granadas de gás lacrimogéneo contra populares, que fogem do local, enquanto uma viatura, presumivelmente aquela onde se encontraria Nelito Ekuikui, se afasta.
Nelito Ekuikui lamentou a “intolerância polÃtica” e disse não encontrar justificação para a atuação policial, senão a de “um partido-Estado que quer usar as forças de ordem e segurança para competição polÃtica”.
O dirigente advertiu que o partido não voltará a apelar à contenção, como fez nas últimas eleições em 2022.
“Já não vai voltar a acontecer o que aconteceu em 2022, em que apelámos o povo à serenidade. Ninguém vai apelar o povo à serenidade. O MPLA vai exatamente encontrar o que procura”, afirmou, acrescentando que “ninguém tem sangue de barata”.
Nas eleições gerais de 2022, o MPLA, no poder desde a independência em 1975, voltou a vencer com 51,17% dos votos, enquanto a UNITA, registou a sua melhor votação de sempre e venceu em Luanda, Cabinda e Zaire.
As próximas eleições gerais estão marcadas para 2027, pleito em que o maior partido da oposição aposta na “alternância do poder”.
Questionado sobre se sente a vida ameaçada, Ekuikui respondeu afirmativamente e responsabilizou o ministro do Interior por eventuais consequências, garantindo que o programa do partido se mantém.
No inÃcio da tarde, o dirigente e o presidente do partido encontravam-se num hotel, tendo já saÃdo “do espaço perigoso”, embora a sede permanecesse cercada.
Nas redes sociais, Ekuikui partilhou imagens da polÃcia e de um tanque, escrevendo que os militantes não desistirão: “Não nos vão intimidar. Não vamos desistir. Vamos resistir, com coragem, determinação e esperança”.
Na véspera, o presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, abriu o encontro da JURA com um discurso centrado no papel da juventude no “desafio da alternância do poder” nas eleições gerais de 2027.
Perante os jovens do partido, o lÃder da UNITA sustentou que “a maior riqueza desta Nação não está no petróleo, nem nos diamantes”, mas na juventude, e apelou à mobilização eleitoral, exortando os jovens a atualizarem os dados eleitorais.
“Sois vós quem vai fazer a mobilização para o voto. Sois vós quem vai fazer a defesa do voto”, declarou, prometendo construir “a partir de setembro de 2027” uma “Angola reconciliada consigo mesma”.
O programa das celebrações no UÃge, iniciado na quinta-feira com a receção da delegação presidencial e a abertura do acampamento da JURA, culmina hoje com o ato central de homenagem a Jonas Savimbi, estando previsto para domingo o regresso das delegações.
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