
Lisboa, 04 ago 2026 (Lusa) — Os produtores de leite contestaram hoje a nova descida do preço pago ao produtor e exigem a sua reposição já em setembro, alertando para o abandono da atividade numa altura em que os custos de produção aumentam.
“Estas descidas vão provocar o abandono da atividade por parte dos mais velhos e vão desanimar os jovens que pensavam investir e instalar-se na produção de leite”, lê-se num comunicado divulgado hoje pela Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep).
A associação adverte que estas novas descidas do preço pago ao produtor “ocorrem em perÃodo crÃtico de incêndios, que são cada vez mais graves por causa do abandono dos territórios e dos campos à volta das aldeias”, salientando que “os campos cultivados alimentam o paÃs e protegem as populações”.
De acordo com a Aprolep, as cooperativas associadas na Lactogal comunicaram no final de julho uma nova descida de 1,5 cêntimos por litro no preço ao produtor a partir de 01 de agosto, em todo o território continental.
Por sua vez, na ilha de S. Miguel, nos Açores, “a Prolacto e a Insulac já responderam com descidas de dois e 1,5 cêntimos por litro, justificando a descida com a situação dos mercados a nÃvel nacional e internacional”.
Alertando que esta descida “acontece numa ocasião em que aumentam os custos de produção com combustÃveis e rações e se espera uma redução na produção de milho silagem devido à s ondas de calor”, a Aprolep prevê que haverá “menos alimento para os animais e [que este] vai ser, provavelmente, o mais caro de sempre, por causa dos fertilizantes e sobretudo das maiores necessidades de rega, onde houver água, e da menor produção esperada por falta dessa água ou da capacidade de regar face à onda de calor”.
Segundo sustenta, estas descidas “são injustas porque o preço do leite ao produtor em Portugal nunca acompanhou as subidas registadas no Norte da Europa ou até mesmo aqui ao lado, na Espanha” e também porque a ajuda que o Governo deu aos agricultores em Portugal “foi várias vezes inferior à ajuda que os agricultores espanhóis”, os seus principais concorrentes, receberam por causa da guerra no Irão e do fecho do estreito de Ormuz.
Neste contexto, a associação “desafia os restantes compradores a manter o preço do leite ao produtor e desafia quem desceu a repor o preço no próximo mês de setembro”.
Defendendo que se aposte na produção de queijos, iogurtes e outros produtos lácteos “capazes de substituir os produtos importados, que representam um défice de 400 milhões de euros”, a Aprolep desafia ainda as indústrias e cooperativas “a partilhar os resultados através do melhor preço aos produtores”, para que estes “possam fazer face aos custos de produção e efetuar os investimentos necessários para o futuro da produção de leite”.
Finalmente, a associação renova o apelo ao consumo de leite e produtos lácteos nacionais, salientando que são “produtos de qualidade reconhecida, mais próximos, mais frescos e melhores para a economia de Portugal”.
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