Lucros da seguradora estatal moçambicana Emose caíram 94,5% em 2025

Maputo, 03 ago 2026 (Lusa) — Os lucros da seguradora estatal moçambicana EMOSE caíram 94,5% em 2025, para 20,2 milhões de meticais (274 mil euros), apesar do aumento de 42,8% dos prémios emitidos, segundo relatório e contas consultado hoje pela Lusa.

De acordo com o documento, a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) registou um resultado líquido abaixo dos 368,1 milhões de meticais (cinco milhões de euros) alcançados no ano anterior, com a seguradora a atribuir a quebra ao “fraco desempenho técnico e redução considerável dos rendimentos de investimentos”.

Na mensagem que acompanha o relatório, o presidente do conselho de administração, Janfar Abdulai, sustenta, contudo, que a empresa demonstrou uma “notável capacidade de adaptação e resiliência” e manteve o foco na “eficiência operacional e na gestão rigorosa de riscos”, num exercício que classifica como tendo decorrido num “contexto extremamente complexo da economia moçambicana”.

“O setor de seguros em Moçambique expandiu cerca de 4% em 2025, impulsionado pela transformação digital e adaptação a novos riscos climáticos e económicos, tendo sido resiliente aos riscos associados às reformas legislativas, entrada de novos operadores, fusões e volatilidade dos mercados financeiros”, descreve Abdulai, na mensagem.

Os prémios brutos emitidos pela Emose cresceram de 2.420 milhões de meticais (32,8 milhões de euros) para 3.456 milhões de meticais (46,8 milhões de euros), uma subida de 42,8% num ano.

A administração considera que este desempenho reflete “os efeitos positivos das medidas implementadas nos últimos anos para o reforço da sustentabilidade financeira e operacional da empresa”, acrescentando que a seguradora registou “uma recuperação positiva da atividade”.

Apesar desse crescimento comercial, o resultado técnico passou de um saldo positivo de 114,5 milhões de meticais (1,6 milhões de euros) em 2024 para um resultado negativo de 67,8 milhões de meticais (918 mil euros) em 2025.

Segundo a empresa, a deterioração do resultado técnico ficou associada ao aumento das provisões técnicas, que cresceram 22%, para 6.709 milhões de meticais (90,9 milhões de euros).

Ao mesmo tempo, os custos com sinistros aumentaram 55,3%, passando de 800,7 milhões de meticais (10,8 milhões de euros) para 1.243,5 milhões de meticais (16,8 milhões de euros).

Outro fator apontado para a redução dos lucros foi a quebra dos rendimentos financeiros, que caíram 54,2%, de 618,8 milhões de meticais (8,4 milhões de euros) para 283,2 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).

A descida foi particularmente expressiva nos dividendos recebidos pela seguradora, que passaram de 272,1 milhões de meticais (3,7 milhões de euros) para 20,9 milhões de meticais (283 mil euros), uma redução de 92,3%.

Apesar da quebra dos resultados, a empresa reforçou a sua posição no mercado segurador nacional, aumentando a quota de mercado de 10% para 13%.

Segundo o relatório, a EMOSE, com 327 trabalhadores, “passou a ocupar a terceira posição” entre as seguradoras que operam em Moçambique, depois de ocupar o quarto lugar em 2024.

A administração sustenta que “a solidez financeira da EMOSE permaneceu robusta ao longo do exercício”, considerando que a empresa está numa “situação satisfatória quanto às garantias financeiras disponíveis”.

O ativo total da empresa cresceu 17%, para 22.058 milhões de meticais (298,8 milhões de euros).

A Emose tem um capital social de 295 milhões de meticais (quatro milhões de euros), sendo controlada pelo Estado moçambicano através de participações diretas e indiretas.

A estrutura acionista é composta pelo Estado, com 39%, o Instituto de Gestão das Participações do Estado (Igepe), com 31%, a GETCOOP, com 20%, e outros acionistas, com 10%.

Criada em 1977, a Emose dedica-se à atividade seguradora e resseguradora nos ramos Vida e Não Vida, sendo a única seguradora com participação direta do Estado moçambicano.

PVJ // JMC

Lusa/Fim