Encontrados 112 corpos em escombros em Gaza

Jerusalém, Israel, 01 ago 2026 (Lusa) — As equipas de resgate da Defesa Civil de Gaza recuperaram 112 corpos em 136 horas nos escombros de várias habitações familiares na cidade de Gaza, disse hoje a organização.

“Durante uma busca extenuante que durou aproximadamente 136 horas, as equipas conseguiram recuperar os corpos e restos mortais de 112” pessoas, incluindo 40 crianças, 38 mulheres e sete pessoas com deficiência, de acordo com um comunicado da Defesa Civil de Gaza sobre a operação que já terminou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

As habitações familiares, situadas no bairro de Sabra, foram atacadas por Israel “com os moradores no interior”, acrescentou na mesma nota.

O coronel Muhamad abu Dan, da Defesa Civil e responsável pelo projeto de recuperação de corpos, referiu que as equipas não conseguiram localizar outros 157 corpos que continuam desaparecidos nesta zona.

O responsável indicou que os socorristas viram-se obrigados a escavar à mão devido à falta de maquinaria, sendo possível que numerosos corpos tenham desaparecido com a força das explosões.

Retirar os mortos dos escombros em Gaza é uma operação difícil, dado que o governo israelita proíbe a entrada de materiais de reconstrução, como de maquinaria pesada no enclave palestiniano, de acordo com uma extensa lista de bens que as organizações não-governamentais (ONG) classificaram de arbitrária.

Mesmo que o COGAT, a autoridade militar israelita que gere os assuntos civis nos territórios palestinianos ocupados, aprovasse a entrada de, por exemplo, uma escavadora, as ONG têm de especificar antecipadamente como e por quem será utilizada, o que, quase por defeito, exclui a Defesa Civil do governo do Hamas, no poder no território desde 2007.

De acordo com uma estimativa do Ministério da Saúde de Gaza, que registou mais de 73.300 mortes em Gaza desde o início da ofensiva israelita, em outubro de 2023, cerca de 7.500 corpos continuam soterrados, e a cada dia que passa, a possibilidade de serem identificados pelos familiares, devido à falta de tecnologia forense, diminui.

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