
Porto, 31 jul 2026 (Lusa) — O Porto registou menos 204 pessoas em situação de sem-abrigo nos últimos cinco anos, tendo terminado 2025 com 526 pessoas a viver na rua, avançou hoje fonte municipal.
Dados da Câmara do Porto revelados hoje à Lusa indicam que nos últimos cinco anos (2021-2025) houve uma redução média de 51 pessoas por ano de pessoas em situação de sem-abrigo no municÃpio do Porto, totalizando menos 204 pessoas a viver nas ruas.
Em 2025 foram registadas 526 pessoas em situação de sem-abrigo, uma diminuição de 4,9% face a 2024, a quebra mais baixa dos últimos cinco anos.
Os números da autarquia revelam que, neste perÃodo, o maior pico de pessoas sem-abrigo no municÃpio foi em 2021, com 730 pessoas a viver na rua.
Em 2022, o Porto registou 647 casos, uma descida de 11,4% face a 2021.
Em 2023, a descida foi na ordem dos 7,7%, com 597 casos.
Em 2024, a tendência da descida do número de pessoas em situação de sem-abrigo mantinha-se, situando-se nos 7,4%, com 553 casos.
Um destaque nos dados é que revelam que o ano de 2025 regista a menor descida (-4,9%).
Os dados avançados à Lusa pela Câmara do Porto são os dados que o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo do Porto (NPISA Porto) enviou à Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas sem Abrigo (ENIPSSA), uma polÃtica pública de âmbito nacional.
Na análise da naturalidade, a maior parte não é do Porto, dividindo-se em 39,9% vindos de outros municÃpios, 8,2% dos PaÃses Africanos de LÃngua Oficial Portuguesa (PALOP), 1,6% de paÃses da União Europeia e 3,4% de outros locais.
A nacionalidade portuguesa é maioritária (88,4%), mas os dados mostram um ligeiro aumento (+1,8%) de pessoas em situação de sem-abrigo vindas dos PALOP.
Em fevereiro deste ano, a Lusa noticiou que os Albergues Noturnos, um centro de alojamento temporário, retirou nove pessoas em situação de sem-abrigo das ruas do Porto em cerca de seis meses, com uma equipa que estuda o perfil das pessoas para fazerem o ‘match’ (combinação perfeita) com as casas.
“Fazemos o matching da pessoa com a casa”, explicava em entrevista à Lusa a diretora-geral da instituição no centro do Porto Albergues Noturnos, Carmo Fernandes, referindo que havia pelo menos “100 pessoas sinalizadas na cidade” que viviam cronicamente nas ruas da cidade do Porto.
No final de maio, a Câmara do Porto anunciou que a antiga Escola Básica EB1 de Lordelo seria transformada no Centro de Pernoita em Lordelo em 2026, e que teria capacidade para acolher 120 pessoas em situação de sem-abrigo.
O futuro espaço de alojamento noturno oferecerá banhos, roupa lavada e pequeno-almoço com o objetivo de garantir uma resposta imediata e mitigar a exclusão social na cidade.
O Centro Joaquim Urbano também oferece apoio e há uma rede de restaurantes solidários.
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