
Londres, 31 jul 2026 (Lusa) – O Governo britânico ofereceu ajuda às autoridades espanholas para fazer frente ao recente fluxo de milhares de migrantes de Marrocos que entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte de África, anunciou hoje o primeiro-ministro, Andy Burnham.
“Esta é, obviamente, uma questão relevante da esfera do Governo espanhol, mas está a causar preocupação”, disse o primeiro-ministro britânico trabalhista, em declarações aos jornalistas.
“Estamos atualmente em contacto com o Governo espanhol, com as autoridades espanholas, para oferecer o nosso apoio, mas também para compreender melhor as implicações desta situação”, acrescentou, sem especificar que tipo de ajuda ofereceu.
Cerca de 60 mil migrantes irregulares provenientes de Marrocos, de acordo com o governo autónomo de Ceuta, chegaram ao enclave espanhol nos últimos dias, desencadeando uma crise migratória naquele território e uma crise diplomática na Europa.
Vários países europeus reagiram à crise, pedindo a suspensão da Espanha do espaço Schengen, onde há livre circulação de pessoas na Europa, ou exigindo que Madrid não permita a entrada dos migrantes marroquinos no continente.
O Reino Unido não faz parte do espaço Schengen.
“Estamos a reunir as autoridades competentes e estamos prontos para agir, incluindo através de medidas excecionais, como a suspensão do espaço Schengen com Espanha”, escreveu a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (direita nacionalista), uma proposta já apoiada pela Finlândia e pela Dinamarca.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu a Espanha que “não permita a entrada de migrantes irregulares no continente europeu” e a Marrocos que “receba imediatamente de volta os migrantes irregulares”.
Originários da cidade marroquina de Fnideq, que faz fronteira com o enclave espanhol, os migrantes chegaram durante a noite por terra e por mar nos últimos dias, e o fluxo intensificou-se na quinta-feira.
Eram, na sua maioria, jovens e adolescentes, que atravessavam as altas vedações de arame farpado que marcam a fronteira ou que as contornavam pelo mar.
Alguns dos jovens mal sabiam nadar pelo que utilizaram boias insufláveis, mas, a meio da noite, 34 migrantes foram encontrados mortos, incluindo 18 que se afogaram quando tentavam atravessar a fronteira pelo mar, segundo fonte policial.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa (juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla).
Hoje de manhã, milhares de jovens migrantes estavam reunidos nas praias, alguns aquecendo-se à volta de fogueiras, outros adormecidos, sob o olhar atento de um grande número de polícias.
A vaga migratória terá sido desencadeada por rumores sobre a abertura da fronteira entre Marrocos e Ceuta, espalhados nas redes sociais.
Tanto Espanha como Marrocos atribuíram esta crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que chegou hoje de manhã a Ceuta acompanhado do seu ministro do Interior, classificou a situação como “um ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha” e acusou “as máfias” de traficantes de migrantes de estarem por detrás do rumor de que a fronteira tinha sido aberta.
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