
Lisboa, 31 jul 2026 (Lusa) — O Ministério da Justiça assegurou hoje que “não existem autópsias por realizar” no âmbito do acidente do elevador da Glória, em Lisboa, prestando este esclarecimento após um vereador do PS ter questionado sobre processos de autópsias por concluir.
“Não existem quaisquer autópsias por realizar. Confirmamos que as autópsias foram todas realizadas em 24 horas e que todos os relatórios foram concluÃdos. Foram 16 casos”, afirmou o Ministério da Justiça, em resposta à agência Lusa.
Na quarta-feira, na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa (CML), o vereador do PS Pedro Anastácio questionou sobre processos de autópsias por concluir relativamente à s 16 vÃtimas mortais do acidente do elevador da Glória, que ocorreu há quase 11 meses, em 03 setembro de 2025.
Ainda segundo o socialista, numa reunião em junho da administração da Carris com os vereadores do executivo municipal “foi dito que havia autópsias que ainda não estavam feitas, nomeadamente por responsabilidade do Ministério Público.”
“Já fez alguma diligência para as situações em que nem autópsias temos concluÃdas, fez algum tipo de intervenção, o que é que fez”, interrogou o vereador do PS, dirigindo-se ao presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), que não prestou qualquer informação sobre o assunto.
Em resposta à Lusa, o Ministério da Justiça recusou que haja autópsias por concluir e considerou que “a informação incorreta divulgada lesa a credibilidade, a idoneidade e o profissionalismo do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses […] e contribui para minar a confiança dos cidadãos nas instituições”.
O vereador do PS Pedro Anastácio procurou também ter um ponto de situação sobre os processos de indemnização à s vÃtimas, lembrando que a última informação prestada pela Carris indicava que apenas duas pessoas envolvidas no acidente do elevador da Glória tinham o processo indemnizatório completo, faltando indemnizações para 38 pessoas feridas ou famÃlias das vÃtimas mortais.
Em resposta, o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), disse que a seguradora da Carris, a empresa Fidelidade, “tem carta branca para negociar o mais rápido possÃvel, o melhor possÃvel, da maneira mais justa, da maneira mais humana, todas as compensações adequadas”, referindo que todas essas compensações têm a cobertura total do seguro, escusando-se a revelar quantos processos foram já concluÃdos.
Neste sentido, a agência Lusa questionou a Fidelidade que revelou que, das 40 vÃtimas registadas, existem processos em três diferentes fases de regularização, nomeadamente “em alguns casos foram já celebrados acordos indemnizatórios” e “noutros, em menor número, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta”.
“E em algumas situações relativas a vÃtimas com lesões corporais, os processos encontram-se ainda em fase de consolidação médico-legal, aguardando-se a estabilização clÃnica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório”, informou a seguradora, sem revelar detalhes.
De acordo com a Fidelidade, sempre que as condições legais e documentais de cada processo o permitiram, foi apresentada proposta indemnizatória.
Assegurando o cumprimento integral das suas responsabilidades e “procurando, de forma proativa, a resolução mais célere e adequada para cada vÃtima e famÃlia”, a seguradora da Carris disse que, “independentemente do tempo que cada processo possa demorar”, vai continuar a apoiar as vÃtimas e as suas famÃlias.
“Por respeito à sua privacidade e à proteção dos seus dados pessoais e clÃnicos, a Fidelidade não comenta, nem comentará em nenhuma fase do processo, situações individuais, incluindo, necessariamente, o número e os termos de eventuais ações judiciais, montantes reclamados e as condições de acordos já celebrados”, ressalvou.
A agência Lusa também solicitou esclarecimentos à Carris, empresa municipal que presta serviço de transporte público urbano de superfÃcie de passageiros em Lisboa (autocarros, elétricos, elevadores e ascensores), mas aguarda ainda uma resposta.
O descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 03 setembro, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
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