
Redação, 29 jul 2026 (Lusa) — As instâncias europeias de futebol vão reunir-se hoje de urgência, para analisar o plano da FIFA de permitir a entrada de investidores privados nos Mundiais, revelou a ministra dos Desporto francesa, Marina Ferrari.
“Confirmo a reunião de emergência organizada na quarta-feira entre as instâncias europeias de futebol. Perante um projeto que pode transformar profundamente o equilÃbrio do nosso desporto, é indispensável que os atores europeus falem a uma só voz”, escreveu Marina Ferrari, nas redes sociais.
Na terça-feira, a FIFA anunciou a intenção de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações do mundiais a privados, com a intenção de aumentar o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares (nos próximos anos, através de uma nova estrutura comercial cuja criação depende da aprovação da maioria das 211 federações-membro e do Conselho da organização).
Segundo o organismo liderado por Gianni Infantino, a proposta passa pela criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária integralmente detida pela FIFA que reunirá os direitos comerciais da entidade.
Através desta estrutura, a FIFA pretende captar até 4,2 mil milhões de dólares junto de investidores privados, mediante a venda de participações minoritárias e sem controlo na FFE, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares.
De acordo com a FIFA, a operação permitirá reforçar o programa FIFA Forward, aumentando o financiamento de desenvolvimento por federação dos atuais oito para 20 milhões de dólares no ciclo 2027-2030, subindo para 22 milhões entre 2031 e 2034 e para 24 milhões entre 2035 e 2038.
A proposta inclui ainda a criação do programa FIFA Fast-Forward, que disponibilizará, de forma voluntária, até 20 milhões de dólares adicionais por federação para projetos especiais, como estádios, centros de treino e outras infraestruturas.
A FIFA assegura que manterá o controlo exclusivo sobre a governação do futebol, as competições, o calendário internacional e todas as decisões regulamentares e desportivas, defendendo que os investidores terão apenas participações minoritárias, sem qualquer papel operacional.
Em reação, a UEFA manifestou-se frontalmente contra a proposta, considerando que esta “ultrapassa uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar”.
“A alma e a governação do futebol não são ativos para negociar, especialmente sem qualquer transparência sobre quem beneficia financeiramente. Nenhum de nós é proprietário do futebol. Não pertence à FIFA para o vender”, afirmou a confederação europeia, em comunicado divulgado após uma notÃcia inicial do The Times.
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