
Leiria, 28 jul 2026 (Lusa) — A Cáritas Diocesana de Leiria já aprovou a atribuição de meio milhão de euros a 49 famÃlias que tiveram danos devido ao mau tempo e destacou que cerca de metade dos beneficiários são crianças e idosos.
Num relatório de acompanhamento e prestação de contas do Fundo Social de Emergência hoje divulgado, criado na sequência da depressão Kristin, que há seis meses atingiu gravemente a região de Leiria, a Cáritas explicou que “foram instruÃdos 131 processos” nos concelhos de Leiria, Ourém, Marinha Grande, Pombal e Batalha.
A instrução de cada processo incluiu visita domiciliária, recolha de documentação socioeconómica, avaliação técnica e deliberação pela comissão de atribuição do Fundo, destinado a apoiar famÃlias sinistradas.
Esta comissão é constituÃda por sete membros, todos a tÃtulo gratuito, “com competências nas áreas social, financeira, jurÃdica e comunitária”, especificou a instituição.
O Fundo tinha, Ã data de 15 de julho, 2.493.936,89 euros.
Dos 131 processos, 49 foram deferidos, isto é, apoiados, com um valor total de 505.988,86 euros.
Segundo o relatório, em análise estão 43 processos e os restantes 39 foram indeferidos, sendo que na maioria dos casos foram-no “por impossibilidade de contacto e entrega de documentação, de não reunião dos critérios de elegibilidade ou cobertura total das necessidades por outros meios”, como seguros ou apoios do Estado.
O concelho de Leiria tem o maior número de pedidos de apoio deferidos (33), seguindo-se Ourém (09), Marinha Grande (05) e Pombal (02).
Das 49 famÃlias elegÃveis para apoio, “num total de 122 pessoas diretamente apoiadas”, a Cáritas Diocesana explicou que o “perfil etário evidencia uma presença significativa de crianças e de idosos, os grupos populacionais de maior vulnerabilidade face a situações de emergência habitacional”.
“A presença de 34 crianças (27,9%) e de 26 idosos (21,3%) — que juntos representam quase metade dos beneficiários (49,2%) — reforça a pertinência da intervenção da Cáritas”, sustentou, destacando que “estes grupos têm menor capacidade de resiliência económica autónoma e enfrentam maiores dificuldades na navegação dos sistemas de apoio público”.
Ainda segundo a instituição, “das 49 famÃlias apoiadas, registaram-se situações de desalojamento temporário, com famÃlias a residir em casa de familiares, amigos ou em habitação temporária durante a espera pela reparação das suas casas”.
“A dimensão média do agregado de 2,5 pessoas reflete a predominância de famÃlias de menor dimensão — muitas monoparentais ou idosos a viver sozinhos — com menor capacidade de partilha de custos de realojamento”, observou.
Quanto à categoria dos apoios, a esmagadora maioria “destina-se à reparação e reconstrução de habitação (93,2% do valor aprovado), o que reflete a natureza dos danos causados pela tempestade Kristin, centrados em coberturas, estruturas e instalações das habitações próprias permanentes das famÃlias apoiadas”.
A Cáritas de Leiria adiantou que, “além da instrução e acompanhamento dos processos do Fundo, a equipa técnica da Cáritas realiza um diagnóstico social aprofundado de cada agregado familiar”, admitindo que, “na análise das condições socioeconómicas de cada famÃlia, são frequentemente identificadas situações de carência ou de direitos não exercidos”.
“Nestes casos, a equipa procede ao encaminhamento e acompanha ativamente as famÃlias na solicitação de apoios complementares junto da Segurança Social e de outros organismos competentes”.
Para a Cáritas, este trabalho, “invisÃvel nas estatÃsticas do Fundo”, tem “enorme impacto nas condições de vida das famÃlias” e representa uma “abordagem integral que distingue a intervenção social de proximidade de uma mera distribuição de apoios pontuais”.
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