
Emails internos divulgados ao abrigo da Lei de Acesso à Informação revelam os bastidores da resposta canadiana às pressões exercidas por Donald Trump sobre a abertura da Ponte Gordie Howe, que liga Windsor, em Ontário, à cidade norte-americana de Detroit.
Os documentos mostram que, poucas horas antes de o Presidente dos Estados Unidos publicar crÃticas ao projeto nas redes sociais, o cônsul-geral norte-americano em Toronto, Baxter Hunt, contactou a presidente da Autoridade da Ponte Windsor-Detroit, Marie Campagna, para pedir esclarecimentos sobre vários aspetos da nova travessia, incluindo as futuras portagens.
Ainda nesse dia, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam ser compensados antes da abertura da ponte e alegou, de forma incorreta, que a infraestrutura tinha sido construÃda praticamente sem participação norte-americana.
As declarações levaram as autoridades canadianas a reagir de imediato. A Autoridade da Ponte preparou um documento de verificação de factos para responder à s afirmações do Presidente norte-americano e acompanhou de perto a cobertura mediática, que ultrapassou uma centena de notÃcias e reportagens nas primeiras 24 horas.
A Ponte Gordie Howe representa um investimento de cerca de 6,4 mil milhões de dólares canadianos e deverá abrir ao trânsito a 27 de julho, depois de o Canadá aceitar alterações ao acordo relacionadas com a partilha de receitas.
Segundo o “New York Times”, a publicação de Trump surgiu após uma reunião entre o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, e Matthew Moroun, membro da famÃlia proprietária da Ponte Ambassador, estrutura que concorre diretamente com a Gordie Howe.
Os documentos agora divulgados mostram a dimensão das preocupações do Governo canadiano perante um episódio que acabou por influenciar as negociações entre Ottawa e Washington sobre uma das mais importantes ligações fronteiriças entre os dois paÃses.



