PCP acusa Governo de usar estudantes como cobaias e exige garantias de rigor

Lisboa, 17 jul 2026 (Lusa) – A líder parlamentar do PCP acusou hoje o Governo de avançar com uma experiência nos exames na qual “os estudantes foram as cobaias e os professores o bode expiatório”, e exigiu garantias de rigor na afixação das notas.

Paula Santos falava no Parlamento na abertura do debate de urgência agendado pelo PCP sobre os problemas na classificação dos exames, que conta com a presença do ministro da Educação, Fernando Alexandre.

A deputada comunista acusou o governante de “fugir ao escrutínio” do Parlamento e de “procurar sacudir responsabilidades”, responsabilizando “as escolas, os diretores, os professores e até as famílias”.

“O Governo decidiu avançar com um procedimento experimentalista sem estar devidamente testado, em que os estudantes foram as cobaias e os professores o bode expiatório de um problema criado pelo Governo”, criticou.

Minutos depois de, no Parlamento, o ministro da Educação ter dito que os exames estão classificados e que as pautas serão afixadas hoje, a líder da bancada comunista sublinhou que este processo não “pode ser feito de qualquer maneira” e não se trata de um “mero ato administrativo”.

“Tem de garantir rigor. E é por isto que, muito provavelmente, por estas questões não estarem a ser garantidas, que serão certamente muitos os pedidos de reapreciação dada a falta de fiabilidade do procedimento adotado”.

Paula Santos pediu garantias de que “as classificações correspondem às provas realizadas pelos estudantes, com itens incompletos ou vazios”, e questionou que medidas foram tomadas “para garantir que todos estes problemas não se voltam a repetir”.

“Com toda esta trapalhada neste final de ano letivo, que ainda está por concluir, com os professores assoberbados, como está a ser preparado o próximo ano letivo? É porque a preparação do próximo ano letivo é agora”, perguntou também.

Criticou ainda o facto de ter sido o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, a anunciar o pagamento de horas extraordinárias aos professores classificadores e considerou que essa era já “uma obrigação legal”.

A deputada do PCP ironizou ainda que “foi graças à derrota do pacote laboral que o que foi oferecido aos professores não foi o banco de horas”.

TS/MCA // SSS

Lusa / Fim