Ventura vai reunir órgãos nacionais e espera falar com PM sobre MAI

Lisboa, 15 jul 2026 (Lusa) — O presidente do Chega disse hoje esperar ter uma conversa com o primeiro-ministro sobre as alegadas ameaças do ministro da Administração Interna, negadas pelo próprio, e vai convocar os órgãos nacionais para decidir eventuais ações.

Em declarações aos jornalistas, após uma audiência com o Presidente da República, António José Seguro, requerida pelo Chega, sobre o “regular funcionamento do Governo”, André Ventura adiantou que a convocação dos órgãos nacionais do partido apenas ocorrerá depois do debate sobre o estado da nação, agendado para quinta-feira, no parlamento.

“O senhor Presidente da República aceitou receber-nos rapidamente, tomou nota e registou também as nossas preocupações e agora o Chega terá amanhã a oportunidade no [debate sobre o] estado da nação de fazer também ver ao Governo e ao país o caráter totalmente inaceitável das declarações do senhor ministro da Administração Interna e daquilo que aconteceu”, acrescentou.

André Ventura disse ainda esperar ter “uma conversa em breve sobre este assunto” com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Interrogado sobre se admite apresentar uma moção de censura ao executivo, André Ventura respondeu: “Teremos tempo para fazer essa avaliação”.

“Amanhã é o debate do estado da nação, eu não queria contaminá-lo com nenhuma ação prévia àquilo que é importante”, acrescentou.

Esta audiência foi requerida na sequência da denúncia do Chega de que o presidente do partido, André Ventura, foi ameaçado verbalmente pelo ministro da Administração Interna no último debate quinzenal, acusação negada por Luís Neves.

O Chega alegou que no debate quinzenal de 27 de maio, enquanto Ventura intervinha sobre o SIRESP, o ministro da Administração Interna dirigiu ameaças a André Ventura. Para sustentar essa acusação, o Chega divulgou nas redes sociais um excerto das imagens capturadas pela ARTV do momento em questão. Contudo, não são audíveis as palavras do ministro Luís Neves.

Segundo a leitura do Chega, que legendou o vídeo, Luís Neves teria afirmado que Ventura iria pagar pelo que estava a dizer no plenário sobre o SIRESP.

ARL // SF

Lusa/Fim