Irmão de Sánchez condenado por prevaricação por tribunal de Badajoz

Badajoz, 14 jul 2026 (Lusa) – O irmão do primeiro-ministro de Espanha foi hoje declarado culpado num delito de prevaricação por um tribunal de Badajoz, que lhe aplicou a pena de inibição de exercer um trabalho público durante nove anos.

David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, foi condenado “como autor por cooperação necessária de um delito de prevaricação administrativa”, segundo a sentença hoje conhecida.

Durante nove anos não poderá exercer cargos ou funções no setor público nem ser candidato em eleições, determinou o tribunal.

David Sánchez foi julgado no mês passado, em primeira instância, num tribunal de Badajoz por prevaricação e tráfico de influências, tendo sido absolvido deste último delito.

As acusações populares constituídas neste caso consideraram que em 2017 foi criado um posto de trabalho propositadamente para David Sánchez na administração da província de Badajoz, liderada pelos socialistas, numa altura em que o atual primeiro-ministro ainda não era líder do Governo, mas estava já à frente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Além de David Sánchez, sentou-se no banco dos réus neste julgamento, entre outras pessoas, o antigo líder do PSOE da região da Extremadura Miguel Ángel Gallardo, que foi hoje condenado a duas penas de nove anos de inibição de exercício de cargos públicos por dois delitos de “prevaricação administrativa”.

Gallardo foi igualmente absolvido em relação à acusação de tráfico de influências.

Nas alegações finais do julgamento, o Ministério Público tinha pedido a absolvição dos 11 arguidos, considerando que não estavam provadas as acusações.

Entre outras coisas, o Ministério Público sublinhou que ficou demonstrado no julgamento que o lugar para o qual foi contratado David Sánchez já existia.

David Sánchez, compositor e maestro de orquestra, foi contratado pela administração de Badajoz para ser coordenador dos conservatórios da região.

Este processo nasceu de uma queixa apresentada pela associação “Mãos Limpas”, ligada à extrema-direita e uma das “acusações populares” constituídas neste caso, a par dos partidos Vox (extrema-direita) e Partido Popular (PP, direita).

Todas as acusações populares (sete no total) pediam penas de prisão para todas as 11 pessoas julgadas.

No último dia do julgamento, em 09 de junho, David Sánchez prescindiu do direito que os acusados têm em Espanha da última palavra no tribunal, ao contrário do antigo líder do PSOE na Extremadura, Miguel Ángel Gallardo, que considerou que a “única culpa” dos 11 arguidos é “não terem as mesmas ideias [políticas] do que as acusações populares”, as quais procuraram “um julgamento mediático paralelo”.

A mesma associação apresentou a queixa contra David Sánchez apresentou outra que levou à abertura, em 2024, de uma investigação à mulher de Pedro Sánchez, Begoña Gómez, por suspeita de tráfico de influências e corrupção, num caso ainda sem desfecho.

Pedro Sánchez e outros dirigentes do Governo e do PSOE têm acusado a direita e a extrema-direita espanholas de montarem campanhas de difamação e “máquinas de lodo” para desestabilizarem o executivo e o primeiro-ministro.

O líder do Governo já disse também publicamente que há em Espanha juízes “a fazer política”, a propósito do caso do irmão e da mulher.

A postura de Pedro Sánchez relativamente aos casos da mulher e do irmão é diferente da que assumiu face a investigações por corrupção que envolvem ex-dirigentes do PSOE, incluindo um antigo ministro, todos eles pessoas que foram ‘braços direitos’ do primeiro-ministro.

Nestes casos, Sánchez admitiu que há indícios muito fortes contra os visados e chegou a pedir desculpa aos militantes do PSOE, mas sublinhou não existirem suspeitas de financiamento ilegal do partido.

MP // APN

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