
Macau, China, 15 jun 2026 (Lusa) — A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou hoje em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial e pela digitalização.
“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado no território.
Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) entre hoje e quarta-feira, e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.
Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável.
“Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infraestruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.
A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projetos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.
Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores.
“A nossa língua é um património comum, mas é também um ativo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.
Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona.
“Que daqui surjam novas ideias, novos projetos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.
O evento contou também com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, que revelou que o modelo de linguagem de IA em português Amália será apresentado “este mês”.
Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”.
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