
Maputo, 12 jun 2026 (Lusa) — O moçambicano Cremildo Matola é o vencedor da 8.ª edição do prémio literário Fernando Leite Couto, com a obra “O Último Segredo da Nação”, anunciou hoje, em Maputo, o júri.
“A obra aborda vários temas, tais como o racismo, o tráfico e assassinato de mulheres, a cumplicidade de um regime político que protege e beneficia uma elite, entre outros. São tratados, de forma aguçada e inteligente, os problemas de uma época em que a maioria negra não tinha voz em Moçambique e onde a vida de grande parte dos cidadãos era desvalorizada”, justificou o júri, presidida por Irene Mendes, na nota divulgada pela Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), que promove a iniciativa.
Segundo o júri, a prosa possui uma narrativa construída ao estilo policial, uma forma ainda pouco explorada na literatura moçambicana, revelando alguma complexidade estrutural.
“O autor revela-nos, através do seu texto, uma preocupação com a pesquisa de informações sobre a época histórica que nele é retratada, e algum rigor científico na apresentação dos factos. Os problemas narrados são ainda muito atuais e podemos estabelecer um paralelismo com os tempos modernos”, acrescenta o júri.
A distinção de Cremildo Matola, natural de Maputo, sul de Moçambique, inclui um valor de 150 mil meticais (2.031 euros) e a edição e publicação da obra em Moçambique, pela editora da FFLC, e em Portugal.
O prémio inclui também a participação de Cremildo Matola em diversas atividades literárias em Portugal, com destaque para a apresentação do livro “O Último Segredo da Nação” no Festival Literário Internacional de Óbidos.
Além de Irene Mendes, o júri é composto por Artur Bernardo Minzo, José Manusse, Olga Pires e Rogério Manjate.
Cremildo Matola nasceu na província de Maputo a 17 de janeiro de 1998. É licenciado em ensino de Português pela Universidade Pedagógica de Maputo, estando a frequentar o curso de Direito na Universidade Técnica Diogo Eugénio Guilande. Estreou-se na literatura com a obra “A charrua de papel e outros contos” que foi menção honrosa no Prémio Literário Calane da Silva 2021.
O prémio literário Fernando Leite Couto, que “distingue novos autores”, visa “estimular a produção” de novas obras literárias de novos autores moçambicanos que escrevem em língua portuguesa.
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