
Luanda, 12 jun 2026 (Lusa) — A comissão sindical da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL) denunciou hoje que a polÃcia angolana reprimiu e deteve trabalhadores em greve, que reivindicam melhores condições laborais e salariais, paralisação considerada ilegal pelo patronato.
De acordo com o segundo secretário da comissão sindical da ELISAL, Venâncio Pacheco, a greve interpolada, hoje no segundo dia, foi reprimida esta manhã defronte à s instalações da empresa por efetivos da polÃcia com o lançamento de gás lacrimogéneo e alegadas agressões.
“Sim, a polÃcia reprimiu a nossa greve, houve excesso, violência aos trabalhadores e aos sindicalistas, neste momento está detido o primeiro secretário da comissão sindical e mais cinco colegas”, afirmou o sindicalista à Lusa.
Venâncio Pacheco relatou também que a polÃcia lançou gás lacrimogéneo para dispersar as dezenas de grevistas, que exigiam aumento salarial, melhores condições laborais e subsÃdios, dando nota que uma colega teve de ser transferida ao hospital após inalar o gás.
SubsÃdios de transporte e de alimentação, ajuste salarial, melhores condições de trabalho, transparência na contratação de novo pessoal e pagamento da segurança social constam entre as reivindicações dos trabalhadores da ELISAL.
“Há disparidade salarial entre os trabalhadores de base e diretores, há recrutamento clandestino de trabalhadores e não somos informados”, disse o sindicalista, dando conta que a greve interpolada deve durar sete dias, nesta primeira fase.
Por sua vez, o diretor de comunicação e marketing da ELISAL, Nelson Pascoal, considerou que a greve decretada pela comissão sindical “é ilegal” e que não cumpriu todos os requisitos legais previstos na Lei da Greve.
“Esta greve é ilegal, é ilÃcita, não cumpriram os pressupostos legais para uma greve, a greve tem normas, os requisitos para a execução de uma greve não foram cumpridos por isso é que nós estamos a trabalhar normalmente e consideramos a atitude de alguns trabalhadores como ilegal”, afirmou o responsável
“Há vários pontos da Lei da Greve que foram violados (…), recebemos o comunicado a greve a faltar um dia, a assembleia de trabalhadores que decretou a greve não teve quórum”, notou.
Segundo Nelson Pascoal, a empresa já respondeu oito dos dez pontos plasmados no caderno reivindicativo dos trabalhadores, faltando apenas solucionar o subsÃdio de alimentação e de transporte, manifestando, no entanto, aberto ao diálogo.
“Neste momento a empresa não está bem financeiramente e, deste modo, não podemos assumir um compromisso do género (pagamento dos subsÃdios de alimentação e transporte), por se tratar de dois pontos que impactam diretamente nos encargos financeiros da empresa, mas estamos abertos à s negociações”, disse.
Assegurou ainda que a direção da ELISAL fez um incremento salarial em 2024, em 2025 foram feitos reajustes salariais, sendo que, explicou, o incremento para 2026 ainda não foi satisfeito por “limitações financeiras”.
Admitiu que a paralisação de grande parte dos trabalhadores está a afetar o processo normal de recolha de resÃduos na capital angolana, insistindo não haver razões para a paralisação.
O segundo secretário da comissão sindical da ELISAL, Venâncio Pacheco, rejeitou ainda que a greve seja ilegal, argumentando que esta foi retomada após uma providência cautelar do patronato perder o efeito junto do Tribunal da Comarca de Luanda.
A Lusa procurou contactar o Comando Provincial de Luanda da PolÃcia Nacional, mas não obteve respostas.
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