
Maputo, 05 jun 2026 (Lusa) – Os empresários moçambicanos pediram hoje ao Governo para acelerar a massificação do uso de gás natural veicular, criar tarifas elétricas especiais para setores produtivos e disponibilizar gás competitivo para indústria, para reduzir a dependência de combustíveis importados.
“Propomos a criação de tarifas elétricas especiais para os setores produtivos estratégicos, a disponibilização de gás doméstico competitivo para a indústria, a aceleração da massificação do Gás Natural Veicular e a promoção de contratos de fornecimento energético de longo prazo para a indústria”, disse o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue.
O responsável falava durante um encontro, em Maputo, com o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, para discutir o ambiente de negócios, tendo apelado à criação de reservas estratégicas nacionais de combustíveis, entre as soluções para acabar com a crise de combustíveis, referindo que a experiência internacional demonstra que países que alcançaram elevados níveis de industrialização utilizaram a energia como vantagem competitiva.
“A verdadeira solução passa por reduzir progressivamente a dependência dos combustíveis importados e colocar os recursos energéticos nacionais ao serviço da competitividade económica e da industrialização”, disse o presidente do CTA, defendendo a necessidade de medidas que garantam previsibilidade no abastecimento e facilitem o acesso a divisas para a importação.
“Defendemos a reavaliação da estrutura de formação de preços dos combustíveis, eliminando custos que não se revelem essenciais neste momento e considerando medidas temporárias de alívio fiscal, incluindo a revisão de alguns impostos que incidem sobre o setor”, disse Massinga.
Moçambique está a registar alguma acalmia e retorno à normalidade no abastecimento de combustíveis no país, após semanas marcadas por falta de gasolina e gasóleo, filas com dezenas de carros e a Unidade de Intervenção Rápida da polícia colocada naquelas que conseguiam abastecer gasolina ou gasóleo, para garantir a segurança por entre centenas que se juntavam, incluindo motociclos e consumidores munidos de bidons.
Nas mesmas declarações, o setor admitiu desafios do país na utilização do gás natural – Moçambique detém das maiores reservas em África – como estratégia de desenvolvimento, indicando que é preciso que o Governo crie capacidade para que este produto impulsione a industrialização, dinamizando cadeias de valor e fortalecendo a competitividade da economia.
“Defendemos que o gás doméstico seja disponibilizado em quantidades adequadas, mecanismos claros e eficientes e a preços competitivos para a indústria nacional. Se o gás destinado ao mercado interno chegar às empresas a preços equiparáveis aos praticados nos mercados internacionais, estaremos a comprometer uma das maiores oportunidades de transformação económica da nossa história”, alertou o líder do CTA.
Por isso, os empresários querem o país a usar o gás para atrair investimentos para setores como fertilizantes, petroquímica, siderurgia, cerâmica, vidro e alumínio, indicando que é altura de avançar com a indústria transformadora.
Relativamente ao conteúdo local, o setor privado adiantou que já criou uma plataforma para apoiar empresários, mas apontou que só terá impacto, juntamente com a lei, se o país criar condições para contratar empresas nacionais.
“O seu maior impacto será alcançado através da criação de empresas industriais moçambicanas competitivas, capazes de produzir localmente, gerar emprego permanente, absorver tecnologia, desenvolver competências e integrar-se de forma sustentável nas cadeias de fornecimento”, disse Massingue.
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