Lucros da banca moçambicana caíram 140 ME em 2025

Maputo, 05 jun 2026 (Lusa) — Os lucros da banca moçambicana caíram 37,9% em 2025, o equivalente a menos 9.600 milhões de meticais (140 milhões de euros), penalizados pelo aumento das imparidades devido à dívida pública, segundo dados do Banco de Moçambique.

No relatório anual de 2025, o banco central refere que rentabilidade do sistema bancário manteve-se positiva, “não obstante a redução do resultado líquido”, reconhecendo que a resultou “fundamentalmente do aumento expressivo das perdas por imparidades líquidas em 172,7%”, no valor de 17,1 mil milhões de meticais (229,6 milhões de euros).

O relatório anual, que analisa na generalidade 36 instituições de crédito e sociedades financeiras, não refere valores, mas cálculos a partir desta evolução apontam que os lucros globais da banca moçambicana recuaram para 15,7 mil milhões de meticais (228 milhões de euros) em 2025.

A deterioração da rentabilidade da banca moçambicana surge num contexto macroeconómico mais exigente e de dependência do financiamento interno do Estado, impactado pelas alterações ao ‘rating’ soberano em 2025, o que obrigou a generalidade dos bancos a aumentar fortemente a constituição de imparidades.

Em 2025, o Governo recorreu principalmente ao endividamento interno, no montante de 62,5 mil milhões de meticais (840 milhões de euros), apesar de ser uma redução de 43% face ao ano anterior.

Além disso, o rácio de solvabilidade fixou-se em 28,1%, enquanto “o sistema financeiro continuou a apresentar níveis confortáveis de liquidez, situando-se em 60,5%, depois dos 49,6% registados em 2024”.

Ao nível operacional, os bancos conseguiram aumentar receitas, com o produto bancário a crescer 9,9%, equivalente a 9.800 milhões de meticais (131,7 milhões de euros), impulsionado pela margem financeira e pelas comissões, com estas últimas a crescerem 25,2%.

Ainda assim, o banco central sublinha que “o aumento expressivo das perdas por imparidades” acabou por ser “suficiente para suplantar o crescimento do produto bancário”, explicando a queda do resultado líquido.

A qualidade da carteira de crédito melhorou, mas continua acima dos níveis considerados saudáveis, com o rácio de crédito em incumprimento a fixar-se em 7,6%, abaixo dos 9,3% registados em dezembro de 2024, “embora continue acima do máximo convencionalmente aceite de 5%”.

Por outro lado, a evolução da liquidez reflete também uma postura mais cautelosa do setor. “Esta subida reflete o aumento dos ativos líquidos em 32,4% (…) em maior proporção que os passivos de curto prazo”, refere o relatório.

O ativo total do sistema bancário moçambicano cresceu 7,3% em 2025, para 1,096 biliões (milhões de milhões) de meticais (14.733 milhões de euros), sustentado sobretudo pelo incremento de aplicações no sistema financeiro.

No conjunto, o Banco de Moçambique conclui que o setor “continuou robusto e com níveis confortáveis de liquidez”, mas reconhece que a evolução da rentabilidade passou a refletir de forma mais direta o aumento do risco e o enquadramento macroeconómico, com destaque para o peso da dívida pública e o custo do crédito.

 

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