Dona do Novo Banco diz que Portugal se tornou estratégico para o grupo BPCE

Loures, 29 mai 2026 (Lusa) — O presidente executivo do BPCE, dono do Novo Banco, afirmou hoje que Portugal se tornou um país estratégico para o grupo bancário francês, sendo agora o seu segundo mercado, e prometeu apoiar a economia portuguesa a pensar no longo prazo.

“A recente aquisição do Novo Banco dá uma nova dimensão ao BPCE aqui em Portugal, estamos a criar uma plataforma bancária mais ampla” que dá “uma maior capacidade para apoiar a economia portuguesa”, referiu o presidente executivo, Nicolas Namias, referindo-se aos investimentos que o grupo está a fazer em Portugal, com o Novo Banco e com o crescimento da empresa Natixis.

Portugal “tornou-se um país estratégico para o grupo BPCE”, disse Namias, que está hoje em Portugal para inaugurar em Moscavide, concelho de Loures, junto ao Parque das Nações, um centro de competências da Natixis, que pertence ao BPCE.

O BPCE comprou o Novo Banco em abril por 6.700 milhões de euros aos anteriores acionistas, o fundo norte-americano Lone Star, que detinha 75% do capital, e ao Estado português, que tinha uma participação de 25%.

“Queremos crescer aqui ao longo do tempo de uma forma sustentável”, afirmou Namias, dizendo que o papel de um banco passa por apoiar a economia onde está presente.

“Essa é a definição de um banco: apoiar a economia onde operamos. Foi o que fizemos em França nos últimos 200 anos. É isso que vamos fazer agora em Portugal”, prometeu.

No caso de Portugal, o líder do grupo francês salientou como fatores atrativos o facto de ter “uma economia forte”, uma “taxa de crescimento sempre acima” da área do euro, indicadores económicos fortes e contas públicas equilibradas.

Presente na inauguração, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que este “é um projeto muito importante para o país” e salientou o número de trabalhadores que a Natixis espera ter em Portugal, cerca de 4.000 no Porto e Lisboa até 2029, por ter um impacto “numa pequena economia como Portugal”.

Miranda Sarmento referiu-se ao investimento como “um sinal de confiança no país”, agradeceu as palavras do CEO do BPCE sobre a situação económica e referiu-se à importância de atrair projetos na indústria e serviços, notando que Portugal “ainda tem uma baixa produtividade, uma baixa competitividade e um Produto Interno Bruto potencial baixo”.

Nicolas Namias garantiu que “o Novo Banco continuará a ser um banco português, gerido localmente, com a sua autonomia, evidentemente no âmbito da estratégia e da supervisão do BPCE”. A pensar em sinergias, “a ideia é utilizar a experiência do BPCE e disponibilizá-la aos clientes do Novo Banco”, explicou.

O presidente do grupo Natixis em Portugal, Etienne Huret, disse que a empresa manterá equipas no Porto e terá outras em Lisboa, não havendo risco de Lisboa absorver as atividades que já existem no centro onde a empresa se instalou inicialmente.

O objetivo da Natixis, que hoje tem cerca de 3.300 trabalhadores em Portugal, é passar a ter cerca de 4.000 profissionais dentro de 24 a 30 meses.

Além de Miranda Sarmento, a inauguração contou com a presença do secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

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