
Maputo, 27 mai 2026 (Lusa) – As poupanças moçambicanas através de depósitos a prazo voltaram a recuar em março, pelo segundo mês consecutivo, para 299.830 milhões de meticais (4.031 milhões de euros), indicam dados oficiais do Banco de Moçambique.
Segundo dados estatísticos do banco central moçambicano, esses depósitos a prazo na banca atingiram no início do ano 304.675 milhões de meticais (4.096 milhões de euros), após um crescimento de 2,4% face a dezembro.
Contudo, nos últimos dois meses, até março, estes depósitos de poupança já acumularam uma queda de 1,5% nesse volume. Estes depósitos tinham atingido em junho de 2024 um total de 264.709 milhões de meticais (3.559 milhões de euros), crescendo progressivamente, todos os meses, até ao recorde de 305.871 milhões de meticais (4.113 milhões de euros) em julho último.
Já os depósitos à ordem continuam a crescer, mais 3% num mês, para 498.793 milhões de meticais (6.707 milhões de euros) em março, segundo os mesmos dados.
Em Moçambique, funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.
A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em maio, nos 15,50%, após três cortes este ano, anunciou hoje a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%. Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,70% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora então decidida pelo banco central.
Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril.
As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.
Já o Banco de Moçambique manteve em março – e de novo esta semana – a taxa de juro de política monetária MIMO em 9,25%, após 12 cortes consecutivos desde janeiro de 2024, face ao “agravamento substancial” de riscos, revendo em alta as perspetivas de inflação.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), na segunda-feira, a qual se realiza a cada dois meses, conforme avançou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, alertando para as consequências para Moçambique do conflito do Médio Oriente, bem como das cheias no país, na atual época das chuvas.
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