Líder nacionalista foi eleito primeiro-ministro da Eslovénia com maioria frágil

Liubliana, 22 mai 2026 (Lusa) — O líder nacionalista Janez Jansa foi hoje eleito primeiro-ministro da Eslovénia pelo Parlamento, graças a um acordo de coligação minoritária apoiado por um pequeno partido antissistema.

Jansa, de 67 anos, recebeu 51 votos favoráveis entre os 87 deputados presentes na sessão parlamentar e deverá tomar posse em junho, após a aprovação dos ministros do novo Governo numa votação prevista para as próximas duas semanas.

“Hoje foi dado um passo importante rumo a uma Eslovénia mais próspera e livre”, afirmou Jansa após a eleição, acrescentando que “não haverá concessões”.

O dirigente do Partido Democrático Esloveno (SDS) regressa assim ao cargo de primeiro-ministro pela quarta vez, depois de anteriores mandatos entre 2004 e 2022.

Nas eleições legislativas de março, o SDS ficou atrás da coligação liderada pelo liberal pró-europeu Robert Golob, mas este não conseguiu reunir apoio suficiente para formar Governo.

Jansa apresentou então um acordo de coligação minoritária com o partido democrata-cristão Nova Eslovénia (NSi), além do apoio do Demokrati, fundado em 2024 por Anze Logar, antigo membro do SDS considerado mais centrista.

A coligação assegurou ainda o apoio de dois deputados independentes e do partido antissistema Resnica, formação pró-Rússia que decidiu sustentar o executivo sem integrar formalmente o Governo.

O apoio do Resnica é visto como decisivo para a sobrevivência política da nova maioria.

O analista político Aljaz Bitenc Pengov disse à agência France-Presse (AFP) que o Governo poderá enfrentar dificuldades de estabilidade tanto pela dependência do Resnica como pelas divergências internas entre Jansa e Anze Logar.

Embora a futura coligação se mantenha oficialmente pró-europeia, Jansa é considerado próximo de partidos eurocéticos e admirador do Presidente norte-americano, Donald Trump.

O programa do novo Governo prevê cortes de impostos, redução da despesa pública, defesa de valores conservadores e uma postura crítica em relação às organizações não-governamentais.

Jansa enfrenta também críticas relacionadas com o chamado caso Black Cube, após um coletivo de cidadãos — incluindo o filósofo Slavoj Zizek — ter apresentado uma petição no Tribunal Constitucional alegando que as eleições poderão ter sido influenciadas por uma campanha de vídeos gravados com câmaras ocultas.

As autoridades eslovenas investigam alegadas ligações entre essas gravações e a empresa israelita Black Cube.

Jansa confirmou ter-se reunido com um representante da empresa, mas negou qualquer envolvimento na produção ou divulgação dos vídeos.

 

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