RDCongo reforça medidas sanitárias no epicentro do surto de Ébola e limita reuniões

Kinshasa, 22 maio 2026 (Lusa) – As autoridades da República Democrática do Congo (RDCongo) restringiram hoje o número de pessoas permitidas em reuniões na província de Ituri, epicentro do surto de Ébola declarado há uma semana no leste do país.

“As reuniões públicas, manifestações e festas estão limitadas a um máximo de 50 pessoas”, afirmou o governador de Ituri, Luboya N’Kashama Johnny, em comunicado.

São suspensos os velórios e os enterros devem ser realizados “em estrita conformidade” com os protocolos de saúde, além de ser proibida a transferência de corpos entre territórios.

A lista divulgada proíbe ainda o transporte de corpos por motociclo, veículo particular, transporte público ou qualquer outro meio, sendo apenas permitida a presença de ambulâncias pertencentes à equipa de resposta.

O campeonato de futebol de Ituri foi cancelado e serão instalados postos de controlo, postos de rastreio de temperatura e pontos de desinfeção em todas as entradas e saídas das zonas afetadas pelo décimo sétimo surto registado na RDCongo desde que o vírus foi detetado pela primeira vez em 1976.

O governador de Ituri decretou ainda medidas obrigatórias de prevenção e higiene, como lavar as mãos regularmente com água e sabão ou utilizar álcool gel em locais públicos, e exortou as pessoas a manterem uma distância mínima de dois metros e a evitar qualquer contacto físico desnecessário, especialmente com pessoas doentes, falecidas ou com suspeita de infeção pelo vírus Ébola.

Para fazer cumprir estas orientações, ordenou a instalação de estações de lavagem das mãos em locais públicos; que os alimentos, principalmente as carnes de caça, sejam bem cozinhados; e que todos cooperem com as equipas de resposta médica.

Numa outra ordem, o governador proíbe formalmente a automedicação ou o isolamento domiciliário sem autorização médica, e apela a que as pessoas contactem as equipas de resposta “imediatamente” se apresentarem febre alta súbita que não responde ao tratamento, hemorragia, diarreia com sangue ou hematúria, ou se alguém morrer subitamente.

O surto está ligado à estirpe Bundibugyo do Ébola, que tem uma taxa de mortalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que o vírus tenha provavelmente começado a circular em Ituri há dois meses.

Fora da República Democrática do Congo, o Uganda confirmou dois casos (importados da RDCongo) em Kampala, um dos quais resultou em morte, e o Sudão do Sul está a realizar mais testes laboratoriais para confirmar um caso suspeito reportado pelas autoridades no estado de Equatória Ocidental, perto da fronteira com a República Democrática do Congo.

Hoje, o Ruanda proibiu a entrada no país de cidadãos estrangeiros que tenham viajado ou transitado pela RDCongo nos últimos 30 dias, para prevenir a propagação do surto de Ébola declarado há uma semana no leste daquele país.

Os cidadãos ruandeses e os residentes estrangeiros poderão entrar, mas aqueles que transitaram por território congolês durante o mesmo período estarão sujeitos a quarentena obrigatória, de acordo com os protocolos de saúde pública do país.

As duas regras entram em vigor de imediato e visam manter a atual situação de zero casos suspeitos no país, que faz fronteira com a RDCongo. O Ruanda reforçou também os controlos sanitários e a vigilância nas passagens fronteiriças terrestres ao longo da sua fronteira com a RDCongo, que as autoridades ruandesas fecharam no passado domingo para prevenir a propagação do vírus.

O Ruanda está também a implementar medidas reforçadas de controlo de entrada no Aeroporto Internacional de Kigali.

A OMS declarou o surto como uma “emergência de saúde pública de importância internacional” no passado domingo e alertou hoje que o risco da epidemia de Ébola na RDCongo passou de “elevado” para “muito elevado”, o nível máximo de alerta, enquanto os riscos a nível regional permanecem inalterados.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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