Crédito à economia moçambicana cresce em março para novo máximo de 3.900 ME

Maputo, 22 mai 2026 (Lusa) – O ‘stock’ do crédito à economia moçambicana voltou a crescer em março, pelo segundo mês consecutivo, para máximos de quase 293.369 milhões de meticais (3.900 milhões de euros), segundo dados do Banco de Moçambique.

De acordo com dados compilados hoje pela Lusa a partir do mais recente relatório estatístico do banco central, o ‘stock’ de março contrasta ainda com os 284.995 milhões de meticais (3.790 milhões de euros) no mesmo mês de 2025 e ultrapassa o pico de 292.807 milhões de meticais (3.893 milhões de euros), registado em maio do ano passado.

Trata-se ainda de um crescimento face aos 291.243 milhões de meticais (3.873 milhões de euros) em fevereiro, que então inverteu três meses consecutivos de quebras, segundo o histórico do banco central.

Os dados de março indicam que o crédito a particulares, que caiu neste período, continuava a liderar, com 90.528 milhões de meticais (1.204 milhões de euros).

Seguia-se o setor dos transportes e comunicações, cujo total de crédito concedido pela banca cresceu ligeiramente, para 25.961 milhões de meticais (345 milhões de euros), o comércio, com 22.561 milhões de meticais (300 milhões de euros), e a indústria transformadora, com 22.121 milhões de meticais (291 milhões de euros).

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em maio, nos 15,5%, após três cortes este ano, anunciou anteriormente a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).

Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%. Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,7% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora então decidida pelo banco central.

Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril.

As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.

Já o Banco de Moçambique manteve em março a taxa de juro de política monetária MIMO em 9,25%, após 12 cortes consecutivos desde janeiro de 2024, face ao “agravamento substancial” de riscos, revendo em alta as perspetivas de inflação.

“Esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspetivas da inflação”, anunciou em 23 de março o governador do banco central, Rogério Zandamela.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), que se realiza a cada dois meses, conforme avançou o governador do Banco de Moçambique, sublinhando as consequências para Moçambique do conflito do Médio Oriente, bem como das cheias no país, na atual época das chuvas.

“Neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em janeiro de 2024, mais de 24 meses, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos. Os riscos e incertezas associados às projeções da inflação agravaram-se significativamente”, alertou Zandamela.

PVJ // CAD

Lusa/Fim