
Brasília, 21 mai 2026 (Lusa) – A maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil decidiu hoje levar a julgamento os três polícias acusados de obstruir as investigações do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, em 2018, por milicianos.
Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, Giniton Lages e Marco Antonio de Barros Pinto foram acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) dos crimes de associação criminosa e obstrução de Justiça, nas investigações sobre os homicídios da vereadora e do seu motorista.
Os três réus integravam a Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro, órgão responsável por instaurar inquéritos, fazer investigações sobre crimes e assassinatos, por exemplo.
O delegado Rivaldo Barbosa, segundo a PGR, teria liderado uma organização criminosa dentro da Polícia Civil para atrapalhar investigações de homicídios, incluindo o caso do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Barbosa assumiu o comando da Polícia Civil do Rio de Janeiro um dia antes do duplo homicídio, e escolheu Giniton Lages para chefiar a Delegacia de Homicídios e conduzir as investigações.
Já o comissário de polícia Marco Antonio de Barros Pinto, conhecido como Marquinho HP, já trabalhava naquela delegacia.
Segundo a acusação, os três policias desapareceram com provas, incriminaram pessoas inocentes, usaram testemunhas falsas e realizaram diligências desnecessárias para “garantir a impunidade” dos mandantes e executores do assassinato que teve motivações políticas.
Marielle Franco, lésbica, negra, nascida numa favela e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), foi baleada na noite de 14 de março de 2018 após participar num evento no centro do Rio de Janeiro.
O seu motorista, Anderson Gomes, também foi assassinado, sendo a única sobrevivente do ataque a então assessora da vereadora, Fernanda Chaves.
Em fevereiro deste ano, os irmãos Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal a 76 anos e três meses de prisão por serem os mandantes do assassinato e por organização criminosa.
À época das acusações, Domingos Brazão era conselheiro do Tribunal de Contas do estado do Rio de Janeiro e o seu irmão, “Chiquinho Brazão”, era ex-deputado federal, que teve mandato cassado pela Câmara dos Deputados em abril do ano passado.
As investigações revelaram que Marielle foi morta devido à sua atuação política e comunitária, o que ameaçava os interesses económicos e a expansão territorial de grupos de milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro com usurpação de terrenos.
Ainda no julgamento de fevereiro, Rivaldo Barbosa foi condenado a 18 anos de prisão por obstrução à justiça e corrupção passiva.
Já Ronald Paulo Alves Pereira, então major da Polícia Militar, recebeu uma pena de 56 anos de prisão, por vigiar as atividades da vereadora e fornecer aos executores as informações necessárias para o assassinato.
O polícia militar e ex-assessor de Domingos Brazão, Robson Calixto Fonseca, foi condenado por organização criminosa, recebendo uma pena de prisão de nove anos.
Assassino confesso de Marielle e Anderson, o ex-polícia e miliciano Ronnie Lessa foi preso em março de 2019, fez acordo de delação e foi condenado a 90 anos e 11 meses de prisão em maio de 2025.
O motorista de Lessa no momento do ataque, o ex-polícia militar Élcio Queiroz, preso desde 2019, foi condenado a 59 anos e oito meses de prisão em outubro de 2024 pelo Supremo Tribunal Federal.
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