
Lisboa, 21 mai 2026 (Lusa) – A quarta edição da CPLP Fashion Week realiza-se, de sexta-feira a domingo, em Lisboa, para promover e “revolucionar a indústria da moda” nos países lusófonos, disse à Lusa a mentora do projeto, Nella Santo.
“Nós queremos, sim, revolucionar essa indústria da moda da CPLP e ver que cada ano que passa, cada edição que passa, nós realmente estamos a criar um certo impacto na nossa comunidade da moda, isso, sem dúvida, nos inspira, nos dá força para continuarmos esse projeto”, afirmou a responsável.
Sob o lema “Raízes em Movimento”, a organização promete três dias “inesquecíveis” de moda, cultura e identidade lusófona, cruzando conversas “inspiradoras” (dia 22, na UCCLA), o desfile das coleções de 18 criadores (dia 23, Casino do Estoril) e um ‘showroom’ (dia 24, Hotel Intercontinental), espaço para promover e conectar designers, marcas e amantes de moda.
“Hoje em dia as pessoas procuram algo diferente e eu sinto que está voltado agora para a África, para a Ásia, e a moda dos países lusófonos tem ganhado mais destaque, desde os tecidos, os nossos padrões, a nossa cultura”, observou Nella Santo, sinalizando também a presença de ” mais modelos africanas e latinas nas passareles dos grandes palcos internacionais”.
Há ainda um caminho longo a percorrer, reconhece a mentora do projeto, apesar do reconhecimento já alcançado por alguns criadores lusófonos.
“Já vemos estilistas hoje em dia em grandes palcos internacionais a serem aplaudidos e a serem reconhecidos como estilistas que podem ser vestidos por qualquer tipo de elite. E isso acaba por trazer uma mais-valia para nós porque as pessoas começam a despertar: ‘olha, de onde é que este estilista é? É um angolano? É um cabo-verdiano? É um são-tomense? É um guineense? De onde vem esse padrão?'”, enfatizou.
Por outro lado, Nella Santo aponta as marcas internacionais que também se começam a inspirar nos países africanos e nos países asiáticos, como “a nova coleção de Giorgio Armani”, muito influenciada “nos tecidos africanos, e nas texturas asiáticas”.
Mas é a criação de uma indústria da moda lusófona que a modelo e mentora quer alcançar: “Ainda não existe uma indústria da moda, não existe investimento, não existem escolas de moda, ‘workshops’, eventos como a CPLP Fashion Week, que é o primeiro, são eventos que as pessoas ainda precisam entender. Esta é a nossa luta diária para que as pessoas entendam o conceito e vejam o valor e o impacto que pode ter”.
Defende por isso mais formação, mais protocolos e pede mais investimento, desde logo da própria Comunidade dos Paises de Língua Portuguesa (CPLP).
“Enquanto instituição, deveria olhar para esse projeto, o mais importante era reconhecê-lo e também dar um apoio institucional para que o evento ganhe mais força, estabilidade (…), porque o projeto da CPLP Fashion Week traz muito mais do que simplesmente a moda”, sublinhou.
“Nós unimos cultura, nós impulsionamos o turismo, nós criamos postos de trabalho para criadores, modelos, artistas e por aí fora. E se nós tivermos um apoio que seja institucional da CPLP, automaticamente haverá um certo reconhecimento das outras empresas que venham proporcionar mais apoio, não só institucional como financeiro”, acrescentou.
Quanto à formação, Nella Santo defende a criação de escolas de moda e de protocolos que permitam aos novos criadores circular e cruzar experiências, estimulando um crescimento “com qualidade”.
“São estilistas, são criadores, são inventores, são pessoas que transformam. E com conhecimento e reconhecimento, eu acredito que conseguimos alcançar outros patamares”, enfatizou.
No futuro, a modelo são-tomense e mentora da CPLP Fashion Week espera criar uma semana de moda dedicada aos países lusófonos, a exemplo do que já acontece na ModaLisboa ou em São Paulo, Brasil, bem como fazer circular o evento por outras capitais.
“Se nós levarmos esse projeto, a cada país da CPLP e dermos oportunidade a esses criadores, nós estamos a criar espaço dentro desses países para os talentos locais poderem também fazer parte dessa celebração”, explicou lembrando que os vistos de entrada em Portugal são muitas vezes um entrave, bem como os custos associados à estadia e às passagens de avião.
“As raízes não prendem. Conectam histórias, culturas e caminhos que continuam a avançar”, é este o convite da organização para os três dias da festa da moda lusófona, cujo ponto alto é o desfile no Casino do Estoril, no sábado, a única iniciativa paga de todo o certame, com bilhetes que vão dos 25 aos 150 euros.
TEYM // MLL
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