Moçambique tem mais de 6,5 milhões de hectares cultivados — ministro

Maputo, 21 mai 2026 (Lusa) — Moçambique possui mais de 6,5 milhões de hectares cultivados, 17,8% dos 36 milhões de hectares aráveis disponíveis no país, anunciou hoje o Governo, alertando que mais de 84% das explorações agrícolas têm menos de dois hectares.

O anúncio foi feito pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, na abertura do Seminário Nacional de Divulgação dos Resultados do III Censo Agro-Pecuário (CAP 2023/2024), realizado hoje na cidade de Maputo.

“A área total cultivada ultrapassa os 6,5 milhões de hectares, correspondendo a aproximadamente 17,8% dos 36 milhões de hectares de terra arável disponível no país”, disse o governante.

Segundo Salim Valá, Moçambique conta atualmente com cerca de 5,2 milhões de explorações agrícolas, das quais 38% são chefiadas por mulheres, realidade que, segundo o ministro, reforça a importância da mulher na produção alimentar nacional.

O governante explicou ainda que cerca de 99,9% das explorações agrícolas do país correspondem a pequenas e médias explorações, confirmando o peso da agricultura familiar na economia rural moçambicana, enquanto as grandes explorações representam cerca de 70 mil hectares.

Salim Valá avançou que mais de 84% das explorações agrícolas possuem menos de dois hectares, cenário que evidencia desafios ligados à produtividade, mecanização, irrigação, assistência técnica e integração nas cadeias de valor.

“Estes números revelam simultaneamente os desafios e o enorme potencial transformador do setor agrário moçambicano”, acrescentou o ministro.

Segundo o governante, o facto de apenas 17,8% da terra arável disponível estar atualmente cultivada demonstra que Moçambique continua a possuir uma das maiores reservas estratégicas de potencial agrícola em África.

“Isto significa que o futuro da transformação económica nacional continuará profundamente ligado à nossa capacidade de transformar agricultura de subsistência em agricultura comercial, integrada, resiliente e orientada para a agro-industrialização”, declarou Salim Valá.

Os dados do CAP 2023/2024 indicam igualmente que o efetivo pecuário nacional inclui aproximadamente 2,4 milhões de bovinos, 4,2 milhões de caprinos e cerca de 16 milhões de galinhas de raça local, considerados recursos importantes para a segurança alimentar das famílias moçambicanas.

Este censo constitui uma das maiores operações estatísticas nacionais realizadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em conformidade com as diretrizes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), visando produzir informação detalhada sobre a estrutura da produção agrícola e pecuária nacional.

O censo agropecuário decorreu entre dezembro de 2024 e junho de 2025, cobrindo praticamente todo o território nacional, incluindo capitais provinciais e a cidade de Maputo, com exceção de seis distritos da província de Cabo Delgado norte de Moçambique, devido a razões de segurança.

Segundo o ministro, a operação utilizou tabletes com tecnologia CAPI (Entrevista Assistida por Computador) e sistemas GPS para medição das machambas e georreferenciação das explorações agrícolas, permitindo reduzir custos operacionais, minimizar erros e melhorar a precisão estatística.

Salim Valá defendeu ainda que os resultados do CAP deverão apoiar a formulação de políticas públicas, investigação, monitorização de programas, investimentos e tomada de decisões baseadas em evidências, contribuindo para o reforço da segurança alimentar e da transformação agrária.

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