
Lisboa, 21 mai 2026 (Lusa) — O Festival Temps d’Images começa hoje, em Lisboa, com três estreias entre as 14 obras divididas em dois momentos que se prolongarão até outubro, ocupando casas privadas, teatros, galerias, o Planetário de Marinha e o Cinema Ideal.
Esta 24.ª edição abre com duas estreias em Lisboa: “Quando os Anjos Falam de Amor”, de Henrique Furtado Vieira, Catarina Vieira, Leonor Mendes e Sérgio Diogo Matias, e “Hotel Paradoxo”, de Alex Cassal, segundo a programação divulgada pela DuplaCena/Horta Seca.
Rafa Jacinto e Carolina Cunha e Costa apresentam também em estreia absoluta, a performance “Duas Ratas” na Rua das Gaivotas 6, uma obra inspirada em fragmentos de diários, memórias e registos em vídeo que evoca a arte japonesa do ‘kintsugi’ para “reparar noções de casa e identidade e questionar papéis de género e restrições impostas às mulheres”.
“Quando os Anjos Falam de Amor” decorrerá em casas privadas, com inscrições prévias, propondo uma experiência performativa centrada na escuta e na partilha de memórias íntimas, num formato em que os criadores entram em casas privadas previamente inscritas, “convocando a intimidade, lutos, memórias e sonhos, e abrindo espaço à escuta e à imaginação coletiva”.
Em “Hotel Paradoxo”, o teatro é levado ao Planetário de Marinha, uma criação que cruza teatro, cinema e astrofísica, conduzindo o público numa viagem temporal guiada pelo ator Marco Mendonça, contracenando com projeções astronómicas de estrelas e galáxias.
Entre as estreias absolutas, ao longo do festival, será ainda apresentada a peça de teatro “Retroceder”, do coletivo Urso Pardo, a 30 e 31 de maio, no Centro de Artes de Lisboa (CAL), que reflete sobre o próprio trajeto do grupo e sobre a construção de uma ideia de teatro para explorar novas possibilidades de caminho futuro.
Ainda na Rua das Gaivotas 6, Bibi Dória apresentará o solo “Cão de sete patas”, inspirado no filme “Copacabana Mon Amour”, cruzando ficção e documental, e o coletivo Retorno Contínuo apresenta “Ao longe, o fim do mundo” no Teatro Ibérico, para questionar os limites da ciência e das crenças contemporâneas.
Também em diálogo com o passado, Tiago Cadete apresentará, no mesmo teatro, “Souvenir”, obra em que investiga a história da migração da sua família paterna para França, na segunda metade do século passado.
“Como estará o passado no futuro?” é a questão lançada por “Pele Nómada”, um ‘road movie’ realizado pelo coreógrafo João Fiadeiro e Aline Belfort, acompanhando o percurso do criador pelos espaços que a sua companhia de dança REAL ocupou, registando rituais de despedida e reencontro a caminho do arquivo do seu espólio depositado em Serralves.
O filme será reposto em Lisboa em sessão única a 25 de maio, no Cinema Ideal, segundo a programação do Temps d’Images.
Em outubro, regressam os Estaleiros – uma secção do certame multidisciplinar que promove encontros criativos entre artistas de diferentes linguagens – nesta edição com a atriz Andreia Farinha e a realizadora Leonor Teles na Duplacena77, a 08 e 09 de outubro, e a performer Joana Manuel e o realizador João Nicolau a 14 e 15 de outubro, no espaço cultural Appleton.
A encerrar o Temps d’Images, a 30 e 31 de outubro, estreia-se na sala Valentim de Barros — Jardins do Bombarda a instalação “Through the chiral veil”, de Filipe Baptista e Sara Abrantes, que cria “paisagens sinestésicas, onde quatro visitantes por sessão podem estabelecer uma relação íntima com um lugar sonhado, num diálogo entre o universo virtual e a matéria física do espaço”.
Festival multidisciplinar com mais de duas décadas de atividade, o Temps d’Images é uma produção da DuplaCena/Horta Seca financiado pela Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Lisboa.
De acordo com a organização, desde que o certame surgiu, em 2003, apresentou mais de 400 peças, muitas delas inéditas, de autores portugueses e estrangeiros, em diversos formatos e géneros artísticos, incluindo dança, fotografia e música.
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