Exposição à canábis na gravidez pode afetar o cérebro do bebé, alerta estudo da Universidade de Western

 Foto: Envato

A esquizofrenia é uma perturbação mental grave, marcada por episódios de psicose que dificultam distinguir a realidade. Afeta cerca de 1% da população canadiana e está associada a vários problemas de saúde.

Entre os fatores de risco estão condições adversas durante a gravidez, histórico familiar, traumas na infância e o crescimento em ambientes urbanos. Apesar disso, ainda não existem indicadores fiáveis que permitam prever a doença precocemente. Por isso, cientistas têm concentrado a atenção na placenta, já que alterações neste órgão podem refletir problemas ocorridos durante a gestação e influenciar o desenvolvimento cerebral do bebé.

Um estudo conduzido pela Western University analisou os efeitos do tetra-hidro-canabinol, conhecido como THC, principal componente psicoativo da canábis. Num modelo experimental com animais, a exposição durante a gestação provocou alterações comportamentais nas crias e modificações na placenta associadas a maior risco de esquizofrenia.

Resultados semelhantes foram observados em células humanas da placenta expostas ao THC em laboratório, confirmando alterações nos mesmos marcadores biológicos. Segundo os investigadores, identificar estes sinais precocemente poderá permitir reconhecer riscos logo após o nascimento e desenvolver estratégias de acompanhamento antecipado.

A esquizofrenia é geralmente diagnosticada entre os 16 e os 30 anos. Por isso, a deteção precoce poderá contribuir para melhores resultados no tratamento e reduzir os impactos na saúde mental ao longo da vida.

Os cientistas defendem mais estudos para compreender melhor os efeitos da canábis, incluindo outros componentes como o canabidiol, conhecido como CBD, bem como o impacto do estilo de vida dos pais antes da conceção. A investigação poderá ainda abrir caminho a estratégias de prevenção e acompanhamento desde os primeiros meses de vida.