Um milhão de moçambicanos beneficiaram de programa de fogões melhorados da Eni

Maputo, 19 mai 2026 (Lusa) — O programa Cozinha Limpa, da petrolífera italiana Eni, distribuiu mais de 200 mil fogões melhorados em Moçambique, beneficiando cerca de um milhão de pessoas, avançou a empresa, prevendo aumentar a produção com a expansão da atual unidade.

Em comunicado, a empresa explica que a Eni Natural Energies Mozambique, que se dedica à transição energética, já distribuiu, desde 2023, mais de 200 mil fogões melhorados nas províncias de Maputo, na região sul, e em Sofala e Manica, no centro do país, beneficiando cerca de um milhão de pessoas.

Acrescenta que a iniciativa visa expandir o acesso à energia limpa, reduzir o uso de biomassa e melhorar as condições de saúde das populações beneficiárias, “especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, através de tecnologia que permite queimar combustíveis tradicionais de forma mais eficiente, comparativamente a fogões tradicionais abertos.

Atualmente, refere-se no comunicado, o projeto emprega 120 jovens moçambicanos “ao longo de toda a cadeia de valor”, desde a produção até à distribuição, prevendo com a nova unidade, cuja construção arrancou segunda-feira, em Maputo, aumentar o número de fogões na atual produção de 350 para 500 por dia.

O projeto conta com o apoio do Instituto Superior Dom Bosco (ISDB), num reforço de parcerias para criar mais oportunidades de formação técnica e programas de estágio para estudantes locais, além de responder à crescente procura pelos fogões e “gerando novas oportunidades de emprego”, segundo a petrolífera italiana.

Fonte da Eni disse na segunda-feira à Lusa que está a avaliar a possibilidade de avançar com uma terceira plataforma FNLG para explorar Gás Natural Liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, norte de Moçambique.

Segundo a fonte, aquela bacia, onde a Eni já opera uma plataforma de produção de GNL, a Coral Sul, e prevê iniciar em 2028 a segunda, Coral Norte, “possui reservas significativas de gás natural, permitindo não apenas a implementação dos projetos em curso, mas também criando oportunidades para novos desenvolvimentos”.

“Nesse contexto, a Eni está atualmente avaliando a possibilidade de avançar com um terceiro projeto baseado na tecnologia FLNG, cujo sucesso foi demonstrado pelo projeto Coral South FLNG”, refere a empresa.

O diretor-executivo da petrolífera Eni, Claudio Descalzi, garantiu em 02 de outubro, em Maputo, que em menos de três anos arranca a produção de GNL Coral Norte, elevando o país a terceiro maior produtor em África.

“Iniciámos o calendário para 2028. Isto significa que começámos hoje com o FID e, dentro de três anos, vamos iniciar a produção”, afirmou Descalzi, durante a assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da segunda plataforma flutuante, Coral Norte, por 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).

O líder da petrolífera, que opera a plataforma flutuante FNLG Coral Norte, tal como a Coral Sul, idêntica, garante que aquela “fará de Moçambique o terceiro maior produtor de GNL em África”, depois da Nigéria e da Argélia, duplicando a atual produção do país (apenas Coral Sul), para sete milhões de toneladas anuais (mtpa).

Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, incluindo um da TotalEnergies (13 mtpa), já retomado, após a suspensão devido a ataques terroristas na região, e outro da ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.

 

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