
Londres, 16 mai 2026 (Lusa) — Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Londres para assinalar o 78.º aniversário da ‘Nakba’ ou catástrofe, como os palestinianos designam a fuga e expulsão de aproximadamente 760.000 conterrâneos durante a criação do Estado de Israel.
Pessoas de todo o Reino Unido marcharam desde a Exhibition Road, na zona oeste da cidade, até à central Praça de Waterloo, seguindo um percurso designado pela polícia e mantido separado da manifestação da extrema-direita que decorria noutra zona da capital.
Entre os manifestantes eram visíveis bandeiras palestinianas, assim como ‘slogans’ contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o líder do partido populista de direita Reform UK, Nigel Farage, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, acusados de cumplicidade no “genocídio” dos palestinianos.
“Tirem as mãos do Líbano”, “Parem de armar Israel”, “Liberdade para a Palestina”, “Resistência até ao regresso”, “Do rio ao mar, a Palestina será livre” eram alguns dos ‘slogans’, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
A marcha contou com um grupo considerável de judeus antissionistas, tanto da tradição socialista como das gerações mais jovens, que se opõem às ações do Estado de Israel, refere, adiantando que “o grupo de judeus ortodoxos da organização Guardiões da Fé, que protestou em cima de um muro perto do Hyde Park, usando os seus chapéus de pele e casacos pretos, recebeu aplausos entusiásticos”.
Seguravam faixas com frases como “O judaísmo condena o Estado de Israel e as suas atrocidades” e “Condenamos as guerras israelitas no Irão e no Líbano”.
A marcha era acompanhada de um forte dispositivo policial e não registou qualquer incidente significativo.
“Estou aqui para condenar as ações do Estado de Israel no Irão, no Líbano e em Gaza. Sou contra o Estado de Israel na sua forma atual porque é um Estado de ‘apartheid’ e devemos criar outro onde os israelitas que já lá estão e os palestinianos vivam juntos com direitos iguais”, declarou à EFE Charlotte Cohen, de 25 anos, da organização judaica Coligação Internacional Contra as Demolições.
De acordo com a agência France-Presse, a polícia de Londres tinha prometido prender qualquer pessoa que gritasse “Globalizem a Intifada”, numa referência às revoltas palestinianas contra o exército israelita.
Depois de duas pessoas terem sido esfaqueadas numa zona de Londres onde vive uma comunidade judaica, Keir Starmer considerou o ‘slogan’ “totalmente inaceitável” e sugeriu que a proibição de marchas pró-Palestina poderia ser justificada em certos casos, adianta.
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