Honduras acusam Irão de “apreensão ilegal” de navio de armador chinês

Tegucigalpa, 16 mai 2026 (Lusa) — O Governo das Honduras acusou o Irão da “apreensão ilegal” de um navio cargueiro de bandeira hondurenha em águas de Omã, embarcação que se encontra no porto iraniano de Bandar Abbas.

Num comunicado emitido pela Direção-Geral da Marinha Mercante (DGMM) hondurenha na sexta-feira, o incidente ocorreu um dia antes e envolveu a embarcação Hui Chuan, um navio registado no porto de San Lorenzo, no sul das Honduras.

A marinha detalhou que o navio foi intercetado por unidades ligadas às forças iranianas a aproximadamente 38 milhas náuticas (70 quilómetros) a nordeste da cidade de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

Toda a comunicação por satélite foi depois perdida e o Sistema de Identificação Automática do navio foi desativado, acrescentou a marinha, citando informações preliminares da armadora chinesa.

As Honduras indicaram haver indícios de uma “possível violação da jurisdição marítima”, dado que as forças envolvidas terão entrado em águas de Omã “sem autorização”, para rebocar a embarcação até um porto iraniano.

“A República das Honduras, enquanto Estado de bandeira, é uma vítima colateral da complexa situação geopolítica e do conflito regional que atualmente assola o Médio Oriente, circunstâncias que escapam ao controlo e à vontade do Estado hondurenho”, refere o comunicado.

A DGMM confirmou que a tripulação é composta por 17 pessoas, incluindo dez cidadãos do Nepal, três de Myanmar (antiga Birmânia), três do Vietname e uma do Sri Lanka.

O comunicado indica que a embarcação já chegou ao porto de Bandar Abbas, no sul do Irão, e que a situação a bordo é estável.

As autoridades iranianas afirmaram que irão realizar inspeções documentais e de conformidade antes de considerarem a libertação da embarcação.

As Honduras confirmaram que mantêm uma comunicação constante com os proprietários do navio e com a armadora para facilitar a libertação imediata da embarcação e garantir a segurança dos tripulantes.

O Irão impôs um bloqueio quase total no estreito de Ormuz, rota marítima por onde transita habitualmente um quinto do petróleo e gás natural consumidos a nível mundial, em resposta à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

Na quinta-feira, a agência de notícias iraniana Tasmin disse que as forças navais do Irão autorizaram a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz.

Na sexta-feira, a televisão estatal iraniana disse que o país tinha autorizado a passagem de mais de 30 navios pelo estreito de Ormuz nas 24 horas anteriores.

A medida “indica que muitos países aceitaram os novos protocolos jurídicos que o Irão e as forças navais dos Guardas da Revolução estabeleceram no estreito de Ormuz”, acrescentou um jornalista da televisão estatal, a partir de Bandar Abbas.

VQ (PNG) // VQ

Lusa/fim