
Maputo, 13 mai 2026 (Lusa) — O município de Maputo pretende transportar até 10.000 alunos por dia com 40 novos autocarros que começam a operar na próxima semana, avançou hoje a gestora do transporte público escolar, Maysha Camal.
“Na segunda-feira começamos oficialmente a operar com as 10 rotas que temos. No mapeamento esperamos transportar 4.500 alunos diários, de manhã e à tarde, e esperamos que a capacidade máxima seja até 10.000 alunos”, disse Maysha Camal, citada pela comunicação social.
Segundo a gestora, a plataforma eletrónica de transporte já possui cerca de 1.000 alunos inscritos, que na próxima semana vão ter “uma sensação de como funciona esta operação”, projeto piloto lançado esta semana e que arranca em Maputo.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apresentou, na segunda-feira, um programa de transporte escolar prevendo baixar para metade o custo de viagem para estudantes, baseado numa plataforma eletrónica que também permitirá rastrear os novos autocarros e reforçar a segurança, após entregar 190 autocarros movidos a gás, que vão reforçar o transporte público na cidade e província de Maputo, incluindo 40 para transporte escolar.
Ao mesmo tempo foi lançado, também na capital, o projeto-piloto de transporte público, que prevê um bilhete eletrónico para estudantes, permitindo baixar o custo médio da viagem de 24 para 12 meticais (32 para 16 cêntimos de euro).
O chefe de Estado avançou, durante a cerimónia, que todo o sistema vai “funcionar de forma eletrónica”, incluindo o rastreamento das viaturas, com aplicação que monitoriza em tempo real a sua localização, “garantindo maior eficiência, segurança, comodidade para os estudantes e suas famílias”.
“Não podemos falar da mobilidade sem falar de segurança rodoviária. As estradas não podem continuar a ser locais de luto e sofrimento para as famílias moçambicanas. Cada vida perdida é uma perda irreparável para a nação moçambicana”, apontou ainda Chapo, lamentando a morte, no sábado, em Nampula, no norte, de 16 pessoas, incluindo 11 crianças, no despiste de uma viatura de transporte de mercadorias que também as levava, na caixa.
“Estes autocarros estão equipados com sistemas modernos de controlo de velocidade e monitoramento operacional, visando reforçar a segurança de passageiros. Por mais que peçam o motorista destes autocarros para acelerar, estes autocarros não vão passar mais que 80 quilómetros [por hora]. Porque a segurança do povo moçambicano, para nós, está em primeiro lugar. Quem tem a pressa de chegar primeiro ao cemitério, pode apanhar um outro carro”, ironizou Chapo.
O chefe de Estado acrescentou que estes novos autocarros têm um dispositivo que monitoriza a condição do motorista, alertando, por exemplo, para o caso deste adormecer.
Moçambique registou 611 acidentes de viação em 2025 que resultaram na morte de 830 pessoas, uma subida em cinco óbitos face ao ano anterior, avançou em abril a Procuradoria-Geral da República, admitindo falta de profissionalismo dos condutores.
VIYS (PVJ) // JMC
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