
Madrid, 12 mai 2026 (Lusa) – Cientistas norte-americanos desenvolveram uma vacina personalizada contra o glioblastoma, um cancro cerebral de crescimento rápido e incurável, que é segura e induz uma resposta imunitária robusta, indicou hoje a Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.
Os resultados do ensaio clínico de fase inicial, publicados hoje na revista científica Nature Cancer, indicam que a vacina funciona “mesmo em doentes com subtipos tumorais particularmente resistentes ao tratamento convencional”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
Tendo o glioblastoma uma sobrevivência média de 15 meses e uma taxa de sobrevivência a cinco anos com tratamento inferior a 10%, a vacina obteve uma resposta num “subconjunto de doentes” que parece “aumentar a sobrevivência livre de recidiva após a cirurgia”.
“Estamos extremamente entusiasmados com estes resultados”, disse Tanner M. Johanns, autor principal do estudo e professor na Divisão de Oncologia do Departamento de Medicina da referida faculdade, conhecida como WashU Medicine.
“Este tipo de vacina é inédito para o glioblastoma e é entusiasmante pensar em como podemos aproveitar esta plataforma de vacina de ADN personalizada contra o cancro para ter um impacto positivo na vida dos doentes que lutam contra esta doença. Além disso, terapias combinadas utilizando esta plataforma personalizada estão a ser investigadas na WashU para verificar se os resultados podem ser ainda melhores”, acrescentou, citado pela EFE.
A vacina, designada GNOS-PV01, utiliza moléculas de ADN modificadas para estimular o sistema imunitário do doente contra o cancro, tendo como alvo os “neoantigénios, proteínas exclusivas das células cancerígenas de cada paciente que as suas células imunitárias podem reconhecer”.
A equipa de cientistas selecionou neoantigénios de diferentes áreas do tumor do paciente para aumentar o número de proteínas das células cancerígenas atingidas pela vacina.
“Escolhemos uma plataforma baseada em ADN porque nos permitiria atingir mais proteínas cancerígenas do que qualquer outra vacina alguma vez atingiu”, explicou Johanns.
Segundo os autores do estudo, a vacina foi capaz de ativar o sistema imunitário de cada paciente para procurar até 40 proteínas cancerígenas específicas do tumor, o dobro do número atingido por qualquer terapia vacinal contra o cancro até à data.
O ensaio clínico foi realizado com nove doentes adultos diagnosticados com glioblastoma e tratados no Siteman Cancer Center, ligado à WashU Medicine, tendo a vacina sido preparada enquanto o paciente recuperava da cirurgia e realizava radioterapia e a sua administração iniciada, em média, 10 semanas após a operação.
“Todos os participantes, exceto um que estava a tomar um imunossupressor esteróide, mostraram um aumento da atividade das células imunitárias” em resposta à vacina e nenhum doente apresentou efeitos secundários graves.
Especificamente, segundo a EFE, dois terços dos doentes não apresentaram progressão do cancro nos seis meses após as cirurgias e dois terços sobreviveram durante um ano.
“Um terço dos doentes ainda estava vivo ao fim de dois anos, o dobro da taxa de sobrevivência histórica, e uma participante ainda está viva e sem recidiva até hoje, quase cinco anos após o diagnóstico inicial”.
O passo seguinte, para Johanns e a sua equipa para, é avaliar a eficácia da vacina num grupo maior de doentes, expandir o tratamento para todos os tipos de glioblastoma e melhorar a resposta ao preparado.
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