Conflito entre Paquistão e Afeganistão causa 372 mortes entre janeiro e março

Cabul, 12 mai 2026 (Lusa) — O conflito entre o Paquistão e o Afeganistão causou, entre janeiro e março, pelo menos 372 mortes de civis afegãos e 397 feridos, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado hoje.

A missão da ONU no Afeganistão (UNAMA) refere que mais de metade das mortes ocorreram em “ataques das forças militares paquistanesas contra o Hospital Omid”.

Em causa está um ataque ocorrido a 16 de março a um centro de tratamento para toxicodependentes em Cabul, capital o Afeganistão.

Envolvidos num conflito de longa data sobre a fronteira comum, cuja demarcação o Afeganistão não reconhece, os dois países mantêm relações particularmente tensas desde o regresso do governo talibã, em 2021.

Islamabad acusa o seu vizinho de abrigar grupos armados que realizam ataques mortais no seu território, acusação que o Afeganistão nega.

No relatório da UNAMA, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão afirma que 130 civis e membros das forças de segurança morreram no Paquistão desde o início de janeiro.

Na segunda-feira, o ministério convocou o encarregado de negócios afegão para alegar que um ataque suicida que matou 15 polícias foi “planeado por terroristas residentes no Afeganistão”.

Os confrontos esporádicos intensificaram-se e transformaram-se em guerra aberta no final de fevereiro, com o Paquistão a realizar ataques aéreos, incluindo contra Cabul.

No Afeganistão, “entre 01 de janeiro e 31 de março de 2026, a UNAMA documentou 372 mortes de civis e 397 feridos”, afirmou a missão da ONU, com base em pelo menos três tipos de fontes independentes.

Esta missão limita-se a investigar vítimas civis no Afeganistão.

Este número de mortes em três meses é significativamente superior a qualquer outro registado desde 2011.

Mesmo em 2025, quando o conflito se intensificou em outubro, um total de 87 civis foram mortos ao longo do ano.

 

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