
Maputo, 11 mai 2026 (Lusa) – A moçambicana Renamo pediu hoje diálogo com os transportadores para acabar com paralisações face à subida dos preços de combustível, considerando esta crise uma oportunidade para o Governo repensar a gestão do setor dos transportes.
Em conferência de imprensa, em Maputo, o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Marcial Macome, advertiu o Governo que deve “evitar o uso da força contra os operadores e fazedores de chapas [transporte semicoletivo de passageiros] e pautar[-se] pelo diálogo, porque só assim poderão encontrar soluções para esta situação”.
A Renamo referiu que os transportadores, que paralisaram a atividade em vários pontos do país, denunciaram ao partido que o subsídio anunciado pelo Governo “não é eficaz, pois a atual situação do país e do Governo não garante a continuidade e a permanência da atribuição desses valores [e que] esse valor não vai chegar aos chapeiros”.
O Governo moçambicano anunciou, sexta-feira, que vai subsidiar os transportes até 141 mil meticais (1.874 euros) para evitar a subida de tarifas e minimizar o impacto social do aumento dos combustíveis no país.
O anúncio do Ministério dos Transportes e Logística ocorreu no dia seguinte ao aumento de 45,5% no gasóleo e 12,1% na gasolina, e quando em várias zonas do país os transportadores paralisam a atividade.
O subsídio, cerca de 35.470 meticais (471 euros) para semicoletivos de passageiros e de 141 mil meticais (1.874 euros) para autocarros e articulados, abrange transportadores licenciados nas capitais provinciais e na zona metropolitana de Maputo, numa primeira fase, conforme acordado pelo ministério e a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro).
O porta-voz da terceira força parlamentar considerou insuficiente a medida do Governo face à crise de combustível, apontando que, com a medida, toda a cadeia de produção e logística fica comprometida.
“Propomos ao Governo que olhe para toda a cadeia de produção e logística e busque encontrar medidas de bonificação a partir da base ao topo, com vista a reduzir o custo da cesta básica do moçambicano, que irá subir face a esses últimos anúncios”, sugeriu.
Segundo a Renamo, os transportadores querem subsídios diretos aos postos de abastecimentos para que todos tenham os preços bonificados na aquisição destes produtos.
“Se o Governo subsidiar estes postos de abastecimentos, permite que todos os transportadores, públicos e privados, tenham um preço bonificado no processo de abastecimento das suas viaturas”, defendeu o porta-voz do partido, pedindo ao Governo que coloque o povo moçambicano na sua agenda nacional.
“Esta crise de combustível que sirva de um exemplo para que os moçambicanos possam aprender a não depender de políticas externas. Moçambique precisa, se for necessário, fechar a sua produção e garantir que o povo moçambicano esteja em agenda nacional, que seja prioridade o seu bem-estar”, disse Marcial.
Para Marcial Macome, a entrega hoje, pelo Presidente da República, de 190 autocarros para a cidade e província de Maputo, “alivia a situação” dos moçambicanos face à crise de transportes, mas, referiu, “não resolve os problemas de mobilidade” no país.
“É mais do que responsabilidade do Estado fornecer esses meios para que o povo possa circular. Alivia a situação dos transportes públicos, mas não resolve. É preciso que tenhamos a humildade e a lucidez de pegar o problema pela raiz”, defendeu.
O preço do gasóleo subiu em 07 de maio 45,5% e o da gasolina 12,1% por litro, com o Governo a justificar a revisão em alta dos combustíveis com os preços praticados a nível internacional.
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