Formação em petróleo e gás no novo centro tecnológico em Moçambique arranca em 2028 – Governo

Maputo, 11 mai 2026 (Lusa) – A formação de engenheiros moçambicanos em petróleo e gás no centro tecnológico de Maputo arranca em 2028, garantiu hoje a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), com a petrolífera ExxonMobil a considerar esta uma “vitória” para o conteúdo local.

Falando no lançamento da primeira pedra do Centro Tecnológico de Moçambique (CTM), Nelson Cossa, representante da ENH, disse que o centro vai arrancar no primeiro trimestre de 2028 com uma capacidade para 250 formandos, garantindo que o Estado vai poupar dinheiro com formação de quadros do setor petrolífero no exterior.

“Numa primeira fase vai servir, sim, aos parceiros da Área 4 [da Bacia do Rovuma], no âmbito do desenvolvimento do projeto Rovuma LNG, porém, estará aberto para que outros moçambicanos interessados em querer fazer parte da indústria petrolífera usufruam deste centro para se capacitar e prestar serviços à indústria petrolífera”, disse.

O Centro Tecnológico de Moçambique (CTM) vai ser erguido na zona do Estádio Nacional do Zimpeto, arredores de Maputo, sul do país, avaliado em 40 milhões de dólares (34 milhões de euros), após o acordo para o empreendimento ser anunciado em outubro pelo chefe do Estado, Daniel Chapo, que adiantou na altura que o plano era começar a formação com pelo menos 100 jovens vindos de todas as províncias do país em matérias de prospeção de gás e petróleo.

“O centro vai servir ao projeto da Área 4 e aos outros empreendimentos de Moçambique durante o seu tempo de vida útil, porém, numa primeira fase o foco será formar técnicos que serão integrados no projeto da Rovuma LNG”, disse o responsável da ENH.

Na mesma cerimónia, a petrolífera americana ExxonMobil considerou um dia de vitória para o conteúdo local o arranque da construção do centro para formar engenheiros em petróleo e gás em Moçambique.

“Este é um dia de vitória para o conteúdo local em Moçambique, porque esse centro de formação é um exemplo magnífico sobre os ‘win-win’ [benéfico para todos os envolvidos] que podemos encontrar entre as empresas estrangeiras e o Governo de Moçambique”, disse o diretor-geral da ExxonMobil em Moçambique, Arne Gibbs.

O responsável disse que treinar moçambicanos para estas operações petrolíferas é vantajoso, porque vai evitar formações no estrangeiro, que exigem mais custos.

“Para nós é mais barato, são menos custos, mas também é bom para Moçambique”, disse.

Em janeiro, o Presidente moçambicano perspetivou o arranque dentro de cerca de um ano da construção do megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) Rovuma LNG, em Cabo Delgado, liderado pela petrolífera norte-americana ExxonMobil.

Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

O projeto Coral Sul, da Eni, é o único em operação, desde 2022, tendo sido aprovado em outubro passado o investimento numa segunda plataforma flutuante para extração, Coral Norte, investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros) que a partir de 2028 vai permitir duplicar a produção para 7 milhões de toneladas por ano (mtpa) de GNL.

Após quatro anos de suspensão devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, o projeto da Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), retomou oficialmente em janeiro e prevê até 13 mtpa a partir de 2029, seguindo-se o projeto Rovuma LNG (Área 4), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa previstos após 2030, e cuja decisão final de investimento é esperada para este ano.

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