
Lisboa, 11 mai 2026 (Lusa) — A UGT apelou hoje à valorização da Concertação Social, condenando o que diz serem ataques sem respeito pelas diferenças e afirmando que o fórum que reúne Governo e parceiros sociais não se esgota na negociação da lei laboral.
A posição da central sindical, assumida num comunicado emitido hoje, surge um dia depois de o primeiro-ministro, LuÃs Montenegro, ter afirmado, a propósito da reforma laboral, que o paÃs precisa de “sindicalistas com arrojo”.
A UGT diz esperar que o capital acumulado pela Concertação Social ao longo das últimas décadas “não seja desperdiçado ou fragilizado com ataques que apenas revelam a não aceitação da legÃtima diferença”.
No comunicado, a UGT não faz qualquer referência explÃcita à s palavras de Montenegro, que na véspera, enquanto presidente do PSD no encerramento da 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós, Leiria, criticou os “sindicatos do século XX” e considerou que o paÃs não precisa “de estruturas que funcionam com os enquadramentos do século XX, para serem competitivos no século XXI”,
O texto da UGT começa, no entanto, por referir que “a UGT tem assistido à s declarações públicas de responsáveis polÃticos e parceiros sociais nos últimos dias” na sequência do fim das negociações das alterações à legislação laboral em sede de Concertação Social, na semana passada.
“A UGT deve recordar que a Concertação Social, enquanto espaço de construção de consensos e compromissos, é fundada na diferença de quem representa interesses diversos, ainda que não necessariamente divergentes”, escreve a central liderada por Mário Mourão.
“A Concertação Social existe há décadas e tem sabido viver com e sem acordos em múltiplos processos negociais, mantendo um capital de confiança e de respeito institucional que permitiu sempre continuar a trabalhar em prol dos trabalhadores, das empresas e do paÃs”, nota.
A central promete continuar a desempenhar um papel no diálogo na Concertação Social, recordando “que o trabalho da Concertação Social não se esgota na legislação laboral” e apelando a que todos continuem “sentados à mesa com o objetivo de encontrar soluções para os problemas reais do paÃs”.
“É isso que se espera da Concertação Social. É esse o papel que a UGT continuará a desempenhar”, garante.
As negociações sobre a reforma das leis do trabalho terminaram na passada quinta-feira, 07 de maio, sem um entendimento entre o Governo e os parceiros sociais, com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, a acusar a UGT de ter sido intransigente e de não ter cedido “em nenhum ponto” e com a central sindical liderada por Mário Mourão a acusar o executivo de ter minado a confiança nas negociações com um “constante avanço e recuo” nas suas propostas.
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