
Genebra, Suíça, 11 mai 2026 (Lusa) – Pelo menos 880 civis foram mortos por ataques com ‘drones’ desde janeiro no Sudão, onde o conflito entrou no quarto ano, afirmou hoje o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em comunicado.
Os ataques de ‘drones’ causaram a morte de pelo menos 880 civis — mais de 80% de todas as mortes de civis relacionadas com o conflito — entre janeiro e abril deste ano, segundo a mesma nota.
“Se nenhuma medida for tomada imediatamente, este conflito corre o risco de entrar numa nova fase, ainda mais mortífera”, alertou o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, citado no comunicado.
Os ataques com ‘drones’ multiplicaram-se nos últimos meses na guerra no Sudão, causando numerosas vítimas.
Segundo o Alto Comissariado, a maioria das mortes de civis atribuídas a estes ataques durante o primeiro trimestre do ano ocorreu na região estratégica do Kordofão.
De acordo com o comunicado, a 08 de maio, ataques com ‘drones’ em Al-Quoz, no Cordofão do Sul, e perto de El-Obeid, no Cordofão do Norte, teriam matado 26 civis e ferido várias pessoas.
“Este recurso crescente aos ‘drones’ permite que os combates continuem sem interrupção à aproximação da época das chuvas, que, no passado, geralmente levava a uma calmaria das operações terrestres”, sublinhou Volker Türk no comunicado.
Por outro lado, o uso de ‘drones’ pelos beligerantes está-se a expandir cada vez mais além do Cordofão e do Darfur, para o Nilo Azul, o Nilo Branco e Cartum, entre outros, indica o Alto Comissariado.
Desde abril de 2023, a guerra entre os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e o exército sudanês causou dezenas de milhares de mortes — algumas estimativas indicam mais de 200.000 óbitos –, deslocou milhões de pessoas e desencadeou o que a ONU classifica como a pior crise humanitária do mundo.
Na semana passada, o chefe das RSF, Mohamed Hamdane Daglo, afirmou que as suas forças estavam prontas para combater durante décadas, se necessário, na guerra contra o exército.
Hoje, Türk apelou à adoção de medidas “enérgicas” para impedir a transferência de armas, incluindo ‘drones’ armados cada vez mais sofisticados, para as partes beligerantes.
Estas visam principalmente os mercados (28 ataques nestes primeiros quatro meses do ano) e os estabelecimentos de saúde (12 ataques), segundo o Alto-Comissariado, que alertou para o risco que estes conflitos representam para o envio de ajuda humanitária.
“Grande parte do país, incluindo o Curdofão, enfrenta agora um risco acrescido de fome e insegurança alimentar aguda, uma situação agravada pelos atrasos ou pela escassez de fertilizantes esperada devido à crise do Golfo”, explicou Türk, apelando mais uma vez à proteção dos civis.
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