
Londres, 11 mai 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reconheceu esta manhã as críticas à sua liderança na sequência dos recentes resultados eleitorais, mas prometeu “provar que estão erradas”.
“Sei que as pessoas estão frustradas com o estado do Reino Unido, frustradas com a política, e algumas estão frustradas comigo. Sei que tenho críticos e sei que preciso de provar que estão erradas – e vou fazê-lo”, afirmou num discurso esta manhã.
Starmer classificou os resultados das eleições da semana passada como duros e assumiu a responsabilidade, mas alertou que o país enfrenta “tempos perigosos” e “adversários muito perigosos”.
“Não dói apenas porque o Partido Trabalhista teve maus resultados, mas porque, se não fizermos isto bem, o nosso país seguirá um caminho muito sombrio”, avisou.
O primeiro-ministro reiterou que não pretende abandonar funções, alegando que iria causar caos no país como fizeram governos conservadores anteriores.
“Um governo trabalhista nunca seria perdoado por voltar a infligir isso ao país”, concluiu.
O discurso do primeiro-ministro é considerado uma tentativa de salvar a sua liderança, num contexto de forte turbulência política, após resultados eleitorais locais e regionais particularmente negativos que mergulharam o Partido Trabalhista numa crise profunda.
O partido atualmente no poder perdeu cerca de 1.500 eleitos locais, o controlo de 40 autarquias e, pela primeira vez, a maioria no parlamento autónomo do País de Gales.
A pressão interna sobre Starmer intensificou-se rapidamente e, até ao momento, mais de 30 deputados trabalhistas pediram publicamente a demissão do primeiro-ministro, num total de 403 que compõem a maioria na Câmara dos Comuns.
Entre os mais críticos destaca-se a ex-secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros Catherine West, até agora pouco conhecida, que afirmou estar disposta a lançar uma candidatura caso o discurso não fosse considerado suficiente e não emergisse outro nome forte.
West tinha sugerido durante o fim-de-semana que o núcleo duro do Governo forçasse Starmer a sair e escolhesse um novo líder – cenário que não se concretizou.
Entretanto, Angela Rayner, antiga vice-primeira-ministra, aumentou a pressão interna ao classificar como “erro” a decisão de impedir o presidente da Câmara Municipal de Manchester Andy Burnham de se candidatar a deputado em fevereiro.
Burnham tinha proposto deixar o cargo atual para regressar ao parlamento, mas a direção do partido bloqueou a possibilidade, acabando por perder a circunscrição de Gorton e Denton para os Verdes.
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