Giro: Magnier reencontrou a ‘maglia rosa’ numa primeira etapa em que Morgado se mostrou

Burgas, Bulgária, 08 mai 2026 (Lusa) — Paul Magnier deixou hoje de ser uma promessa para tornar-se no primeiro ‘maglia rosa’ da 109.ª Volta a Itália, com o ciclista francês a confirmar o seu destino numa jornada que António Morgado concluiu como sexto da geral.

Segundo corredor mais vitorioso da temporada passada, atrás de Tadej Pogacar (UAE Emirates), o jovem da Soudal Quick-Step escapou à queda que ‘travou’ o pelotão a 600 metros da meta e contrariou a maior experiência dos seus adversários, nomeadamente do favorito Jonathan Milan (Lidl-Trek) — o italiano acabou num dececionante quarto lugar -, para estrear-se a vencer em grandes Voltas.

“Alinhámos muitos sprinters [neste Giro], foi a primeira vez que pude sprintar contra estes grandes nomes e estou muito contente por tê-los derrotado”, assumiu o ciclista de 22 anos, depois de se impor no final dos 147 quilómetros entre Nessebar e Burgas, na Bulgária, com o tempo de 03:21.08 horas.

Atrás de Magnier, que alcançou a 80.ª vitória francesa na ‘corsa rosa’ e se tornou no terceiro mais jovem ciclista do seu país a vencer na ‘grande’ italiana, chegaram o dinamarquês Tobias Lund Andresen (Decathlon) e o britânico Ethan Vernon (NSN), respetivamente segundo e terceiro com o mesmo tempo do vencedor.

Após “um dia muito fácil”, como descreveu o corredor da Soudal Quick-Step, o caos instalou-se nos últimos 600 metros, com o pelotão simplesmente a ter de parar por não conseguir encontrar uma brecha na chegada demasiado estreita a Burgas, após uma queda massiva ter derrubado, entre outros, Kaden Groves (Alpecin Premier-Tech) e Dylan Groenewegen (Unibet Rose Rockets).

Aos 22 anos, Magnier somou o 27.º triunfo da carreira e o terceiro numa temporada em que ganhou na Volta ao Algarve, e voltou a vestir a ‘maglia rosa’, que já tinha envergado no ‘Baby Giro’ (a versão sub-23 da prova italiana) há dois anos.

“Estou tão orgulhoso da equipa e da minha performance”, resumiu o primeiro comandante da 109.ª Volta a Itália, que lidera a geral com quatro segundos de vantagem sobre Lund Andresen e sobre Manuele Tarozzi, que integrou a fuga do dia.

O italiano da Bardiani CSF 7 Saber saltou para a frente da corrida logo nos quilómetros iniciais na companhia de Diego Sevilla, da Polti VisitMalta, outra das equipas que tradicionalmente anima as tiradas do Giro.

Numa jornada em que a vitória na etapa valeria a ‘maglia rosa’, as formações dos sprinters não deixaram o duo ganhar uma margem superior a dois minutos, que chegou a cair perigosamente para um a mais de 70 quilómetros da meta.

Sem interesse em apanhar os fugitivos demasiado cedo, o pelotão desacelerou, com a escapada a sobreviver até ao sprint intermédio, onde o português António Morgado (UAE Emirates) somou dois segundos de bonificação, o que lhe valeu o sexto lugar na geral, a oito segundos do camisola rosa.

Tarozzi e Sevilla foram apanhados ainda antes dos derradeiros 20 quilómetros, com os ‘comboios’ a perfilarem-se então para colocar os seus sprinters, tarefa que cumpriram na perfeição até que a queda cortou o pelotão a toda a largura da estrada e deixou apenas uma dezena de corredores na frente.

Por ter acontecido dentro dos últimos cinco quilómetros, este azar não provocou cortes de tempo, com todos os ciclistas, incluindo o super favorito Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e os portugueses Morgado, Nelson Oliveira (Movistar) e Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), a serem creditados com o mesmo tempo do vencedor.

Na geral, Oliveira é 69.º e Eulálio 119.º, estando ambos a 10 segundos de Magnier.

Os acidentados 221 quilómetros da segunda etapa, que liga Burgas e Veliko Tarnovo, também na Bulgária, podem representar uma oportunidade única para o estreante António Morgado subir à liderança da geral, uma vez que o jovem luso de 22 anos passará melhor as dificuldades do percurso do que os homens que o precedem na geral.

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