
Washington, 08 mai 2026 (Lusa) – O secretário de Estado norte-americano anunciou hoje que deverão ser impostas mais sanções a Cuba, para além das anunciadas na quinta-feira, durante uma conferência de imprensa em Roma.
Quando questionado sobre as sanções anunciadas no dia anterior, Marco Rubio adiantou que estão ser sancionadas para já “empresas que, basicamente, estão a ficar com tudo o que gera dinheiro em Cuba e a colocá-lo ilegalmente nos bolsos de alguns poucos membros do regime. Portanto, não se trata de sanções contra o povo cubano”.
Sobre as sanções anunciadas contra o conglomerado militar cubano Gaesa, Marco Rubio explicou tratar-se de “uma ‘holding’ criada por generais em Cuba que gerou milhares de milhões de dólares em receitas, nenhuma das quais beneficia o povo cubano”.
“Nem um único cêntimo desse dinheiro beneficia o povo cubano. Há o Governo cubano, que tem um orçamento, e depois há esta empresa privada que tem mais dinheiro do que o próprio Governo. Nem um único cêntimo dessa empresa é destinado à construção de uma única estrada, de uma única ponte, nem a fornecer um único grão de arroz a um único cubano, exceto às pessoas que fazem parte da Gaesa”, disse o secretário de Estado, depois duma reunião com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Em resposta, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou duramente as últimas sanções impostas pelos Estados Unidos e afirmou que se trata de uma “agressão unilateral” que se insere numa onda de medidas impostas por Washington “de forma ilegal”.
“Embora estas sanções ilegais agravem a difícil situação do país, reforçam, na mesma medida, a nossa determinação em defender a pátria, a revolução e o socialismo”, afirmou.
Neste sentido, salientou que o povo cubano “já conhece a crueldade que se esconde por trás das ações do Governo dos Estados Unidos e a crueldade com que este é capaz de nos atacar”, tal como indicou numa mensagem divulgada nas redes sociais, na qual afirmou que o povo cubano “compreende, tal como o resto do mundo, que isto é uma agressão unilateral contra uma nação e uma população cuja única ambição é viver em paz”.
“Queremos ser donos do nosso próprio destino e livres da interferência perniciosa do imperialismo norte-americano”, acrescentou.
Rubio, por sua vez, reiterou que se trata de “uma sanção contra esta empresa que está a roubar o povo cubano em benefício de uns poucos”.
Sobre a audiência de quinta-feira com o Papa Leão XIV, Rubio disse não terem sido abordadas sanções, mas sim a ajuda que os Estados Unidos estão disponíveis para enviar para Havana.
Os Estados Unidos disponibilizaram “seis milhões de dólares [cerca de cinco milhões de euros] em ajuda humanitária, distribuída pela Cáritas, a agência da Igreja Católica”, adiantou Rubio sobre a conversa mantida com o líder da Igreja católica.
“Estamos dispostos a fazer mais. De facto, oferecemos ao regime 100 milhões de dólares em ajuda humanitária. Infelizmente, até agora não aceitaram distribuí-la para ajudar o povo de Cuba. Pensámos em ajuda para o furacão, mas é o regime que não a aceita. É o regime que se interpõe no caminho”, salientou.
Acrescentou ainda que os Estados Unidos “querem ajudar Cuba, que está a sofrer por causa deste regime incompetente que destruiu o país e a economia”.
Num comunicado emitido na quinta-feira, Rubio, de ascendência cubana, explicou que as sanções à Gaesa “fazem parte do agravamento das sanções contra a ilha ordenado por Trump no passado dia 01 de maio”
A 01 de maio, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma nova ordem executiva para alargar o âmbito das sanções contra Cuba, de modo a abranger praticamente qualquer pessoa ou empresa não norte-americana que tenha relações comerciais com a ilha, especialmente nos setores da energia, da defesa, da segurança e das finanças.
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