
Lisboa, 08 mai 2026 (Lusa) – O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou hoje que Portugal não pode ter uma economia baseada no turismo, dizendo que o paÃs está “assente em produtos de baixo valor acrescentado”.
“Há aqui outra questão que é central e que ninguém discute, que é o valor daquilo que é produzido no nosso paÃs, nós temos um paÃs assente em produtos de baixo valor acrescentado, nós não podemos ter um paÃs assente na hotelaria, no turismo”, disse o dirigente em declarações aos jornalistas à margem da tribuna pública que assinala o dia mundial da Segurança Social.
Tiago Oliveira reiterou também, que Portugal pode vender a quantidade que quiser de pastéis de nata que não irá competir com as importações que o paÃs tem que fazer.
“Podemos querer vender o maior número de croissants e pastéis de nata que quisermos vender, nada disto vai entrar em concorrência com aquilo que temos que comprar fora porque abdicámos da nossa produção nacional”, afirmou o sindicalista.
O dirigente fez também referência à compra de comboios que Portugal vai fazer a paÃses estrangeiros, dizendo que existia uma “grande empresa de comboios a nÃvel nacional”.
“Nós agora temos que comprar mais 100 comboios, vamos comprar os 100 comboios onde? Vamos comprar a Espanha, vamos comprar a França, vamos comprar à SuÃça”, disse.
“Mas nós tÃnhamos uma grande empresa de comboios a nÃvel nacional, e quantos pastéis de nata é que vamos ter que vender para comprar um comboio à SuÃça, a Espanha ou a França?”, acrescentou.
Tiago Oliveira remete as questões da baixa produtividade nacional para as polÃticas públicas que foram seguidas ao longo dos anos.
“A questão da produtividade está aqui, naquilo que são as escolhas polÃticas que foram seguidas ao longo de todos estes anos, e portanto, quando se fala em produtividade, que se olhe para as questões do trabalho, para a valorização dos trabalhadores e criar nos trabalhadores condições para terem uma vida próspera no seu paÃs”, reiterou o dirigente.
Relativamente ao pacote laboral, Tiago Oliveira asseverou que “há uma rejeição” e que os partidos na Assembleia da República “terão de ser responsabilizados” consoante o seu voto no parlamento.
“Ou estão do lado de um governo que tem respondido aos interesses dos patrões, ou estão do lado da maioria, a maioria são os trabalhadores, e os trabalhadores rejeitam este pacote laboral”, defendeu.
Em relação a impostos, o sindicalista assegura que os trabalhadores não têm problema em pagá-los, que apenas exigem que eles sejam investidos “na melhoria dos serviços públicos, na melhoria da resposta à s necessidades das populações”.
“Os trabalhadores não se queixam de pagar impostos a mais, porque a questão central é por onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos”, rematou Tiago Oliveira.
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