História do burlão Alves dos Reis inspira filme britânico “O homem que roubou Portugal”

Redação, 07 mai 2026 (Lusa) — A história do burlão português Alves dos Reis, responsável “por uma das mais ousadas fraudes financeiras do século XX”, inspirou um filme, do realizador britânico Thomas Napper, cujo projeto será apresentado este mês em Cannes, França.

Em comunicado, a empresa Beta Cinema revela que “The Man Who Stole Portugal” é uma produção da britânica EMU Films, a partir do livro “O homem que roubou Portugal”, de Murray Teigh Bloom e já editado em Portugal, com a rodagem prevista para Portugal, Reino Unido e África do Sul.

“The Man Who Stole Portugal” é apresentado como um filme de assalto de época e de humor negro, cuja história parte do “glamour e agitação política da Lisboa dos anos 1920 para uma Angola colonial e para o mundo das gráficas de Londres”.

O elenco é encabeçado pelo ator britânico James Nelson Joyce, no papel de Artur Alves dos Reis (1896-1955), contando ainda com Richard E. Grant, Dominic West, Joel Fry, Herbert Nordrum, Kim Bodnia e Nia Towle, entre outros.

O filme “dará ao público a emoção de um grande filme de assaltos, mas com uma história verídica tão escandalosa que é difícil de acreditar que aconteceu mesmo. É divertido, elegante e cheio de ritmo”, afirmou o produtor Michael Elliott em nota de imprensa.

Artur Alves dos Reis ficou famoso por vários crimes de fraude e falsificação, nomeadamente notas de 500 escudos, contratos, cheques, assinaturas, diplomas de formação, para conseguir fazer fortuna.

Fez-se passar por engenheiro em Angola, forjou assinaturas de administradores do Banco de Portugal e conseguiu que uma casa britânica de impressão de papel-moeda imprimisse 200.000 notas de 500 escudos, que circulavam de forma ilegítima em Portugal e em Inglaterra. Esse dinheiro serviu para, em 1925, fundar o Banco de Angola e Metrópole.

“Burlas, falsificações e desfalques foram três crimes que Alves Reis cometeu para conseguir uma fortuna”, refere a biografia que o Banco de Portugal disponibiliza ‘online’, referindo que o burlão foi condenado em 1930 e libertado da prisão em 1945.

“Durante o julgamento, alegou que o seu objetivo era simplesmente desenvolver Angola. Morre a 09 de julho de 1955, aos 58 anos, sem fortuna, na sua casa em Lisboa”, refere o Banco de Portugal.

Para o produtor executivo do filme, Terry Smith (da Moviedrome), Alves dos Reis foi “um génio do crime que percebeu que falsificar um contrato para imprimir notas de banco era infinitamente mais fácil do que falsificar as próprias notas”.

A história também é “uma premonição notável: As ondas de choque que provocou na economia portuguesa e o colapso político que se seguiu ecoam na emissão de dinheiro dos bancos centrais durante a crise financeira de 2008/2009 e durante a pandemia da covid-19”, afirmou Terry Smith.

O projeto desta longa-metragem será apresentado no “Mercado do Filme”, que começa no dia 12 e é um dos eventos paralelos ao Festival de Cinema de Cannes.

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