
Hong Kong, China, 06 mai 2026 (Lusa) – A Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong indicou à Lusa que só muito recentemente empresários espanhóis começaram a reconhecer o “potencial de Macau” como elo de ligação entre os dois mercados.
A organização empresarial indicou que os países de língua espanhola continuam a ser “pouco conhecidos pela vasta maioria dos empresários chineses”, criando uma “necessidade evidente de conhecimento e serviços de apoio empresarial”, que Macau e Hong Kong estão particularmente bem colocados para fornecer.
No entanto, apesar do vasto potencial de parceria, a associação empresarial avisou que comunidade ibero-americana na China permanece “relativamente dispersa”, o que dificulta um crescimento coeso.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem priorizado o diálogo de alto nível com a China, o que se traduz em quatro visitas ao país em quatro anos, a mais recente em abril de 2026, para fortalecer os laços económicos, em particular nos setores da energia verde e tecnologia.
O comércio bilateral de bens entre a China e Espanha ultrapassou os 55 mil milhões de dólares (46,8 mil milhões de euros) em 2025, crescendo dos cerca de 52 mil milhões de dólares (44,2 mil milhões de euros) em 2024.
Quanto a Hong Kong, no ano passado as exportações espanholas totalizaram aproximadamente 1,17 mil milhões de dólares (995 milhões de euros), enquanto as importações provenientes de Hong Kong rondaram os 600,1 milhões de dólares (510 milhões de euros).
Segundo a Câmara de Comércio, o realinhamento das relações económicas globais despertou um interesse mútuo entre a China e os 21 países de língua espanhola, que “se torna cada vez mais evidente”, embora ambas as regiões continuem “insuficientemente compreendidas” uma pela outra.
“A Espanha e a América Latina e Central destacam-se como uma região de grande interesse pela sua dimensão, diversidade setorial e capacidade de fomentar parcerias em áreas como comércio, investimento, infraestruturas, energia, agroindústria, tecnologia e serviços”, disse a Câmara, num conjunto de respostas a questões colocadas pela Lusa.
Com Macau há muito definido pelo Governo da China como uma ponte entre o país e os países de língua portuguesa, esse papel foi recentemente expandido para englobar também os países de língua espanhola.
Além de uma passagem por Portugal, o chefe do Executivo de Macau adicionou também uma paragem em Madrid durante a sua primeira visita ao estrangeiro em abril último, onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto, e onde Sam Hou Fai fez questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola.
“Macau está agora a reforçar ativamente os setores de serviços empresariais, consultoria, formação e apoio administrativo — precisamente o tipo de infraestrutura suave de que as empresas espanholas necessitam para uma entrada fluida no mercado chinês”, afirmou à Lusa a Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong.
Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica de Hengqin (Ilha da Montanha), uma área vizinha do território estabelecida com o propósito de ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.
Um centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola, por exemplo, foi inaugurado em Hengqin no ano passado.
Embora Espanha não tenha ainda uma câmara sedeada em Macau, a Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong afirmou estar “plenamente comprometida” em apoiar empreendedores baseados em Macau e em reforçar a cooperação entre os dois ecossistemas de negócios.
A organização está a promover ligações entre empresas espanholas e chinesas em setores complementares como serviços corporativos, turismo, hotelaria e restauração, ao mesmo tempo que, em conjunto com outras câmaras ibero-americanas, “fomenta a criação de uma comunidade empresarial mais ampla em Hong Kong”.
Combinado com o “conhecimento interno do ambiente económico e regulatório chinês”, a organização realçou que o Macau oferece um “ponto de partida natural e prático” para empresas de Espanha, Portugal e América Latina.
NCM //
Lusa/Fim
